2 horas atrás das trutas do Rio Baceiro.

2 horas atrás das trutas do Rio Baceiro.

Há muito tempo que eu já tinha ouvido falar da fama truteira do Rio Baceiro, e finalmente estava na hora de comprovar se tudo aquilo que me foi contado era verdade. Pela primeira vez, ia fazer lançamentos neste excelente curso de água que se junta ao rio Tuela na zona da Hidroelectrica das Trutas.

Como a pescaria era em conjunto, tive que atender ao protocolo que exigia que depois de uma viagem demorada desde o Porto, se provasse o anho e a posta da zona durante o almoço. A muito custo, lá acedi ás exigências do grupo (Prof. Arlindo Cunha, Dr. Manuel Pintalhão, Eng. José Pintalhão, Dr. Sousa Rodrigues, Dr. Vasconcelos e Manuel Jorge) e do nosso grande anfitrião: o Eng. Barreira. O vicio já era mais que muito para por as trutas a mexer, especialmente depois da boa chuva que tínhamos apanhado pelo caminho.

Enfim, depois do almoço não perdoei. Ainda o resto do grupo estava nos preparativos para a faina e já eu estava a caminho do rio. Iria começar a pescar no Baceiro, desde a foz do Tuela para montante. Para abrir as hostilidades comecei com equipamento de light spinning, porque infelizmente a chuva não tinha sido muita na zona e o rio estava bastante claro. Bem, lá peguei na cana de 1,8 metros, linha 0,12 da Fendreel e rapala CD-3 RT. Iria aproveitar as correntes criadas pelo funcionamento da mini-hídrica, pois estavam a agitar as águas no Baceiro, introduzindo mais caudal e mais corrente.

Comecei a lançar cruzado para montante, de forma tentar atrair as trutas que estavam paradas à espera de alimento na corrente. Os resultados não se fizeram sentir! Logo no primeiro lançamento cravo uma trutinha no meio do rio. Não deu grande luta, mas deu uma grande foto. Era o meu primeiro exemplar do Baceiro. Uma linda truta.

Com esta captura, ganhei outro alento e preparei-me para bater o rio a milímetro. E a coisa estava mesmo a correr bem. Nos primeiros 100 metros, ainda tirei mais uma trutinha e tive outro toque, mesmo na confluência dos dois cursos de água. Entretanto, começou a chegar a minha concorrência (amiga!) e virei-me exclusivamente para o Baceiro. Arranquei para montante!

Tal como já esperava, o Baceiro, para montante da confluência com o Tuela, estava excessivamente limpo e apresentava um caudal relativamente reduzido com muitas correntes de pequena dimensão e poucos poços e açudes. Fiquei um pouco receoso com este tipo de cenário. Cheirou-me logo a trutas pequenas e extremamente desconfiadas. O rapala não ia ajudar muito, portanto resolvi mudar rapidamente para a Mepps Aglia nº1.

Como era de esperar, as margens naquela zona do Baceiro estavam extremamente arborizadas e dificultavam bastante o andamento. Mesmo assim, fui trabalhando o troço com alguma calma. Os lançamentos tinham que ser precisos e interessava-me ganhar o máximo de distância possível, para evitar que as trutas me vissem.

Nos primeiros 200 metros, nem barbatana de truta vi. Depois comecei a entrar numas correntes mais profundas, e com alguns poços. Numa zona com uma corrente no topo de um poço, vejo as primeiras trutas a mexer. Elas bem roçaram o isco com o nariz, mas nada de morder. Havia que continuar para montante.

Mais 200 metros para montante, e numa sequência de correntes com pequenos poços, tiro outra truta. Também pequena, cerca de 14 cm, e não deu grande luta. A sessão de pesca não estava a correr muito bem. Só tinha visto trutas pequenas e o que me apetecia era umas boas trutas a darem luta ou pelo menos a mostrarem-se, mas nada disso aconteceu 🙂

Lá fui empurrando a jornada, até chegar a uma curva mais pronunciada no rio. Aí, deparo-me com uma linda queda de água, a derivar para um poço com alguma dimensão. Realizo 4 lançamentos e nada. No quinto, lanço para montante, recupero mesmo encostado à minha margem e quando a colher estava para sair fora de água, sinto uma pancada brutal e vejo uma truta a saltar como doida. Lá a tento segurar com 5 metros de fio, e depois de algumas peripécias, saco-a fora de água. Já era um exemplar de 23cm. Assim, já se falava 🙂

Continuei na minha digressão para montante, mas o mato foi-se tornando mais difícil e ao mesmo tempo, as trutas não estavam a colaborar. Começou-se a instalar o estado de dúvida sobre o interesse de continuar naquela zona. Sem hesitar muito, resolvi mudar de direcção e procurar um nicho fora do Baceiro. Tinha visto um local no Tuela que me tinha parecido muito interessante. Estava com a pulga atrás da orelha e queria verificar.

No global, e para uma primeira vez, o Baceiro pareceu-me um rio bastante interessante. Há potencial, mas a excessiva limpidez das águas e o caudal reduzido não ajudam à pesca em dias muito claros. Assim, parece-me que os dias de chuva e de forte corrente serão os mais promissores neste rio. Agora, só falta um dia a sério para testar esta tese 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.