Duas trutas interessantes do Rio Lima

Duas trutas interessantes do Rio Lima

Depois de uma manhã a calcorrear as margens de um dos ribeiros do Rio Lima, achei que poderia pensar em visitar o próprio Rio Lima, algures mais para montante. Mais uma vez, não sabia o que ia encontrar, pois a influência da maré (na zona onde estava), não me permitia avaliar até que ponto a barragem de Touvedo estaria ou não aberta. Mesmo assim, resolvi avançar.

Em pouco menos de 20 minutos, cheguei ao local desejado e pela corrente, era óbvio que a Barragem de Touvedo estava em descarga. Fiquei um bocado aborrecido, porque as condições de pesca eram difíceis, mas não me deixei esmorecer. Em cinco minutos, já estava à beira do rio, a lançar para montante e a tentar mexer alguns dos bons bichos que costumam habitar a zona. Não alterei muito o material e mantive o fio 0,12 e colher Mepps Aglia nº1, apenas trocando a cana de 1,2 pela de 1,8 metros.

Mais interessante do que a pescaria em si, que me levou à captura de quatro trutas com a medida, que foram todas devolvidas à água, fiquei sobretudo fascinado com dois exemplares que capturei e que traduzem a diversidade que muitas vezes podemos encontrar num mesmo troço de rio.

O primeiro exemplar a ser capturado caracteriza-se pelo facto de ter um número reduzido de pintas, que, no entanto, são grandes e dispersas. Com cor negra, estas pintas são extremamente belas e até me fizeram pensar que poderia estar perante um alevim de salmão. Trata-se de um exemplar único e que mostra quanto uma truta pode ser bela.

A segunda truta, capturada 50 metros para montante, apresenta uma tonalidade e coloração completamente diferente. É uma truta muito mais prateada e com uma maior densidade de pintas negras, também com dimensões razoáveis. No entanto, o curioso desta truta, não é a sua coloração, mas sim o facto de ter saído numa colher de 18 gramas da Mepps, que é quase do tamanho da truta. Quando vinha a recolher, com a corrente e com o peso da amostra, nem sentia se a truta estava preso. Até parecia que nem tinha nada na ponta da linha!! Como é que uma truta tão pequena ataca um isco tão grande?? É voracidade total 🙂

No global, a sessão de pesca no Lima não foi muito interessante, a não ser por estes dois aspectos deliciosos e que nos fazem pensar na beleza das trutas. São realmente uns peixes extremamente belos e com uma voracidade a toda à prova. Pouco são aqueles que conhecem a riqueza do património genético albergado pelos nossos rios, mas eu desconfio que mesmo em determinados troços de grandes rios, é possível encontrar espécimes com importantes diferenças genéticas. É claramente um património a preservar.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.