O trofeu inesperado do Alvoco.

O trofeu inesperado do Alvoco.



Domingo, dia 7 de Março de 2010, expedição ao Rio Alvoco para mais uma manhã de pesca na proximidade de Alvoco das Varzeas. A jornada tinha sido combinada no dia anterior com o Dr. Manuel Pintalhão e implicava a divisão de um grupo de 4 pescadores em duas equipas de pesca. Uma equipa constituída por 3 elementos iria pescar à minhoca num afluente do Alvoco, enquanto eu iria arrancar a solo para bater uma área de açudes à procura de boas trutas. Como já conhecia a zona de anos anteriores, planeei tudo ao pormenor. Isto apesar de achar antecipadamente que o dia não era dos mais favoráveis para entrar no Alvoco.

Depois de arrancar do Porto às 6h00 e tomar o pequeno almoço em Tábua às 8h00, chegamos ao Rio Alvoco por volta das 9h00. Paramos a alguma distância a jusante de Alvoco das Varzeas, porque eu queria pescar todo o troço de açudes para montante. A minha confiança era reduzida e portanto abordei o troço com bastante descontração. O rio corria com um caudal relativamente forte e eu decidi logo só pescar nas correntes mais lentas acima dos açudes. Nos outros espaços era impossivel pescar e nem lancei. Só me interessavam as áreas onde pudesse fazer a amostra passar perto do fundo.

Com o 0,18 na cana, a minha principal preocupação era a escolha de isco. Com a corrente como estava, precisava de um isco que afundasse a contra corrente. O único isco para este cenário era o Salmo Hornet nº3 floating. Tinha que ser pescado com lançamentos de 1/4 para montante a 1/2 para jusante. A própria corrente ia pô-lo a trabalhar, desde que eu o fizesse chegar o mais rápidamente possível à profundidade desejada. Muito bem. Toca a pescar!

Comecei a pescar na margem direita numa zona cheia de árvores altas. Os lançamentos tinha que ser realizados nos pequenos espaços livres entre as árvores. Os primeiros 5 minutos de lançamentos foram de adaptação à àgua. A amostra estava a funcionar de forma perfeita. Nada mau. Só isso já me deixava satisfeito. Estava a bater o açude para jusante. Ao 6 minuto, entra a primeira truta mal o rapala passa pelo centro do rio. Com uma raça incrivel, a truta ataca debaixo para cima e fica bem presa no salmo. Era um bom bicho e começou a fazer força, puxando a linha para as arvores e ramalhos que se encontravam na margem direita. Impossivel de se soltar, pois estava cravada em ambos os triplos e os anzóis da salmo são espectaculares. Toda a responsabilidade estava agora do lado do fio e pescador. Demorei 3 minutos a dominar a truta contra corrente e a trazê-la para o camaroeiro. Que beleza. Cor de prata com muita pinta preta e com 1 kilo de peso. Um verdadeiro trofeu de montanha! Que espectáculo! 

Com esta captura fiquei verdadeiramente satisfeito e surpreendido. Não estava nada à espera de que entrasse logo um troféu. Precisei pelo menos de 10 minutos para me recompor e continuar com a pescaria. Durante esse tempo, aproveitei para mandar um mms ao outro grupo, só para animar as hostes :). Escusado será dizer que não tive resposta! Ah, vicio!

Entretanto, entrou a chuva e continuei a pescar até terminar de bater o primeiro açude em que entrei. Nem mais um sinal de truta. Pelo vistos, só este grande bicho se andava a alimentar ao centro do rio. Perante isto avancei rápidamente para montante, lançando em pequenos poços com corrente que ia encontrando. Isto até chegar a um poço meu conhecido, onde existe uma queda de água que vem canalizada através dos campos. No ano passado tinha ali tirado duas boas trutas ao rapala CD-3 e fugiram-me outras três. Será que estariam lá à minha espera?

E não é que estavam! Trabalhando o salmo de montante para jusante. Tirei duas boas trutas, uma delas com cerca de 30 cm (ver foto abaixo). A mais pequena chegou a vir atrás do salmo até aos meus pés e mordeu já fora de água. Que raça e que grandes emoções! Afinal vale a pena marcar alguns sitios. Elas mudam de sitio, mas nem tanto.

Eram 10h30 e já estava satisfeito. Mesmo assim, continuei a bater terreno para montante aproveitando para me deliciar com o bom trabalhar da amostra e com os excelentes açudes que fui encontrando. Com pouca linha 0,18 no carreto, comecei a sentir alguma dificuldade em realizar lançamentos mais largos devido ao baixo peso do salmo, mas mesmo assim mantive o salmo na linha o máximo de tempo possivel. Trutas é que já não se viam. Comecei sim a ver pegadas do dia anterior junto à margem. Ainda mudei para a X-Rap, mas nada. Enfim, também já pouco interessava. A pescaria estava feita e era hora de começar a pensar no reencontro com a outra equipa para podermos almoçar.

Lá nos encontramos 1h30 após o que estava marcado. Pelos vistos, o mms tinha dado alento em excesso aos pescadores de minhoca! Tinham tirado 5 trutas de tamanho médio. Após o reencontro ainda se falou na possibilidade de bater um pequeno troço na proximidade da ponte das 3 entradas. Paramos lá, mas as condições não eram nada favoráveis. A juntar ao peso do almoço, a chuva começou a cair com alguma intensidade e ainda por cima apareceu um corvo marinho a pescar na zona. Escusado será dizer que vimos um grande cardume de escalos a fugir rio acima, devido á presença deste predador que se está a tornar uma praga cada vez mais comum nos nossos rios truteiros. Perante isto, resolvemos deixar as trutas em paz. Mais tarde na temporada, voltaremos para outra visita 🙂

Related Posts with Thumbnails




Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.