Uma boa pescaria no Vez e no Lima.

Uma boa pescaria no Vez e no Lima.

Sabado, dia 6 de Março de 2010. Depois de uma sexta-feira de muita chuva e vento, parecia que estavamos perante mais um dia com pouca actividade truteira. Aliás essa era a opinião dominante na véspera junto da maioria dos pescadores de trutas. Mesmo assim, decidi lutar contra a maré e reduzi as minhas expectativas a simplesmente ir dar uma volta e passar um bom dia a desfrutar de uns bons lançamentos às trutas. Antecipando caudais elevados na maioria dos rios da zona do Minho, resolvi avançar para o único local onde poderia com algum sucesso tentar passar a amostra em frente ao nariz das trutas; o rio Vez no troço a jusante dos Arcos de Valdevez.

Este é um troço livre, dificil de pescar, mas bem conhecido pela sua capacidade para produzir grandes troféus. As histórias são várias e eu tenho uma que se passou com o meu irmão em que se deixou fugir uma truta marisca de cerca de 3kg. Um autêntico colosso que entrou a uma Vibrax nº2 dourada com pelos amarelos. Estamos, portanto, a falar de uma excelente sequência de grandes açudes com uma densa cobertura vegetal que permite condições óptimas para o rápido desenvolvimento de bons exemplares: bons poços e abundância de nutrientes. O único senão é a forte densidade de pesca que associada à extrema limpidez das águas torna as trutas bastante receosas e dificeis de enganar. Neste tipo de cenário, a melhor altura para entrar neste rio é sempre quando ele leva bons caudais. Isto por duas razões. Primeiro, porque nestas condições, as trutas entram nas suas linhas de alimentação perto das correntes, perdem alguma visibilidade periférica e tornam-se menos timidas. Segundo, porque mesmo com bons caudais e chuvas intensas, a corrente nesta área nunca é extremamente forte e permite trabalhar bem a amostra.

Arranquei do Porto tarde. Eram para aí 7h15. Estava à espera de más condições climatéricas e não tinha muita pressa de chegar ao rio. No entanto, à medida que fui fazendo caminho na A28, verifiquei que as condições estavam bastante favoráveis e portanto compreendi que já não era o primeiro no rio. Efectivamente ao passar na ponte do IC perto do Rio Vez, vi logo dois carros da concorrência parados na margem. Perante isto avancei para montante e parei numa zona com um açude de cerca de 800 metros de extensão. Estava sozinho! Muito bem. Toca a equipar e a artilhar a cana. O mesmo fio e a mesma amostra da passada quinta-feira no Coura (X-RAP), pois em equipa ganhadora não se mexe.

Elaborei rápidamente o plano de ataque. Bater o troço em questão; primeiro para jusante apanhando 4 açudes, pois no último desses quatro já tinha tirado várias trutas superiores a 27 cm em anos anteriores, e depois para montante apanhando uma enorme corrente que terminava em duas quedas de água contínuas. Em função da pescaria, também previ logo a possibilidade de ir molhar a linha no Lima, isto apesar do rio apresentar condições quase impraticáveis para o spinning. Tinha observado do IC que a barragem de Touvedo estava a debitar em força, mas também sabia de um ou dois buracos onde a amostra poderia fazer estragos.

A pescaria para jusante foi relativamente ingrata. Era notório que alguns pescadores já por ali tinham passado no dia anterior e só consegui mexer três trutas, umas delas ainda mordeu, mas descravou-se rápidamente. Eram tudo trutas entre os 21 e os 23 cm. Já a chegar ao último açude encontrei uma equipa de dois amigos pescadores dentro do rio, um à amostra e outro à minhoca e estavam relativamente desanimados.

Perante isto avancei para montante. Voltei aonde tinha colocado o carro e comecei a bater a corrente mais longa. Após alguns lançamentos chego a um poço com cerca de 6 metros de profundidade e com grandes pedras assentes em fundo de areia. A parte principal da corrente corria pelo centro do rio e eu conhecia o local de visitas anteriores, devido à constante presença de um bom cardume de escalos. Lancei para montante, e comecei a sacudir o rapala deixando-o afundar, quando chega a meio do rio levo uma pancada monstruosa (tipo tronco), sinto a linha a querer fugir, mas nada! Devia ser um monstro descomunal, mas não cravou. Aqui os número 10 da vmc não deram o rendimento esperado. Voltei á carga com vários lançamentos, mas nada. Enfim, eram já 10h30 e ainda nada. Mais uma vez, o Vez mantinha a sua fama de rio dificil.

Avancei para a cabeceira da corrente, onde as profundidades começavam a diminuir e a força da corrente aumentava. Bati a zona a milimetro, e passado vários lançamentos, todos a 1/4 para montante, entra uma truta diabólica a meio do rio. Crava com força, dá dois saltos fora de água e arranca a correr para mim com tal rapidez, que mesmo a rodar o carreto ao máximo não consegui manter tensão na linha. Foi uma visão única. Não me deu chance até se encostar à margem. Senão estivesse bem cravada no X-Rap, esta nunca mais a via. Que beleza de truta com uma raça fenomenal. Lá a puxei para cima e mediu 36 cm (ver foto capa). 

Com a motivação desta boa captura, resolvi enfrentar as duas últimas quedas de água. Já lá estavam vários pescadores, portanto, apenas consegui entrar de forma decente num açude. Neste açude, tirei mais uma truta ao X-Rap. Esta truta em plena corrente fazia uma força impressionante e eu pensava que tinha grande bicho. Nada disso, era uma truta de 24 apanhada pela barriga no X-Rap. Grande surpresa! Já eram 13 horas e estava na altura de almoçar e mudar de local.

Já satisfeito com a pescaria, resolvi ir apenas molhar a amostra durante mais uma ou duas horitas no Lima. O rio estava quase impossivel. Lançamentos para o centro do rio eram impraticáveis. Logo, decidi-me pela margem direita e procurei as zonas com menos corrente e pequenos espaços entre as árvores onde se pudesse lançar. Lá fui batendo e cheguei a um corredor de água por entre várias árvores. Sitio ideal para uma truta. Lançamento de 5 metros, a truta entra debaixo de um tronco e é imediatamente transportada pelo ar para a margem. Não havia espaço para grandes brincadeiras, atendendo à força da corrente e à grande encruzilhada de ramalhos. Era a primeira truta deste ano do Lima. Que beleza (ver foto abaixo).

Animado por esta captura, ainda tentei pescar o troço a jusante, mas as condições eram muito dificeis. Para agravar ainda mais as coisas, recebi uma chamada do meu grande amigo Dr. Manuel Pintalhão a marcar uma ida para o Alvoco no dia seguinte às 5h30 da manhã. Aí perdi logo a vontade de continuar, até porque a pescaria já estava feita. Tinha desfrutado de um grande dia na natureza e tinha tirado alguns bons exemplares em zonas que considero serem das mais dificeis para a pesca à truta a nível nacional. Eram verdadeiros trofeus e mais uma vez o X-Rap marcou a diferença. Tudo tinha corrido na perfeição!



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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.