Atrás das trutas num buraco do Coura!

Atrás das trutas num buraco do Coura!

Terminada a expedição no Rio Lima, resolvi avançar para a bacia do Coura passando pela estrada que liga os Arcos de Valdevez a Paredes de Coura. Daí segui direito a Covas. O meu destino era um pequeno buraco escarpado a montante da Barragem de Covas. O acesso a este local é tão dificil que poucos são os pescadores que têm coragem para descer e fazer únicamente 10 ou 20 lançamentos. Portanto, tudo apontava para trutas relativamente virgens e a possibilidade de realizar alguma captura razoável. Este era o meu sonho para me fazer chegar à hora do almoço 🙂

Cheguei ao local por volta da 12h30. Alguns metros a montante já tinha visto um carro da concorrência, mas estavam na zona mais fácil de andar. Portanto, o cenário estava favorável. Rio com boa corrente, águas com um tom um pouco esverdeado, mas limpas. Olho para baixo … 70 metros a pique pelo meio do tojo e silvas. Bem, havia que levar umas arranhadelas. Pelo menos não existiam pegadas frescas no local!

Lá desci com calma e quando cheguei ao local, verifiquei que não tinha mais de 20 metros para pescar. Ou seja, três locais relativamente próximos uns dos outros para realizar lançamentos. Muita silva, muito tojo e muita vegetação para ajudar na dificuldade dos lançamentos. Ainda estava com a nº1 do Lima e foi essa a primeira a sair disparada para a outra margem, ligeiramente para montante. Os resultados não se fizeram esperar. A colher vinha a atravessar a corrente, quando visualizo uma boa truta a 10 metros de mim na minha margem e mesmo em cima da trajetória que a colher iria fazer. Quando a colher começa a endireitar junto à margem, a truta dispara como uma louca para jusante e ataca a colher com uma força brutal! Tudo observado por mim com detalhes deliciosos.

A truta começa uma luta violenta, cabeceando furiosamente e tentando encaminhar-se para a madeira que se encontrava na margem. Lá fui tentando controlar o combate e quando a truta se aproxima da margem, apercebo-me que não tenho margem de manobra (inclinação da margem e cobertura vegetal) para utilizar o camaroeiro. Portanto, com a truta estabilizada, já com a cabeça fora de água, dou-lhe um último puxão, com alguma calma, para a colocar em terra em segurança. Estava concretizada a captura no local da foto abaixo. Um bonito exemplar do Coura com 26 cm.

Motivado por esta captura, fiz mais dois ou três lançamentos antes de trocar a colher pelo rapala CD-5 MN. Com a bobina de 0,18, começou mais um festival de trutas perdidas em 20 metros de água. Em cada lançamento, mordia uma truta, mas nenhuma ficava. Num caso concreto, houve uma truta que mordeu 5 vezes o rapala e não cravou minimamente! E mesmo ali a 5 metros de mim! Mais uma vez a desgraça dos anzóis triplos do rapala a funcionar. Impressionante! Naquele pequeno espaço, estavam cerca de 10 trutas de bom tamanho e apenas capturei uma.

Valeu claramente a pena as arranhadelas e picadelas do tojo. As trutas estiveram onde deviam estar, mas a amostra não esteve a altura do desafio. De qualquer maneira, ficaram as grandes emoções e a vontade de atacar o almoço. Já tinha planos para a parte da tarde. Mas isso é outra história :).

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.