Na Ribeira de Cardielos …

Na Ribeira de Cardielos …




Após a pescaria no Vez durante a parte da manhã de Sábado, resolvi mudar de cenário para onde se pudesse tirar umas trutas com céu limpo. Entre as várias opções que me surgiram na cabeça, decidi-me por um pequeno ribeiro que me oferecesse garantias de uma ou duas horas bem passadas ao light spinning. Os pequenos ribeiros, pela sua pequena dimensão e densa cobertura vegetal, são locais onde a pesca ao spinning está ao alcance de poucos e, portanto, oferecem sempre condições para alguns momentos divertidos, mesmo durante dias muito claros ou de forte intensidade de pesca (fim de semana).

Entre as várias ribeiras no Vale do Lima, decidi-me pela Ribeira de Cardielos (que tem outro nome oficial). Esta ribeira localiza-se a montante da povoação de Cardielos e está encravada entre campos e algumas casas. Tem um caudal médio de 3 a 4 metros de largura e apresenta margens fortemente cobertas por uma vegetação densa, especialmente nalguns troços. Em termos de pesca, esta ribeira apresenta uma boa densidade de trutas comuns e algumas trutas mariscas, isto apesar de se encontrar algum lixo espalhado pelas suas margens e leito. Como este lixo não é de origem industrial, as trutas não sofrem um forte impacto com a sua presença. Durante a visita a este local, registamos com agrado que foi realizado algum trabalho de limpeza da vegetação das margens, o que permite um fácil acesso do pescador a zonas que anteriormente eram inacessiveis.

Cheguei à Ribeira de Cardielos por volta das 15 horas. O meu plano era passar 1 a 2 horas a brincar com as trutas locais. Parei o carro na ponte da EN. Viana do Castelo – Ponte de Lima e troquei de cana, de 1,8 para 1 metro, mantendo a linha 0,12 que já vinha da pescaria do Vez. Em termos de amostra, também tive que trocar o rapala pela Mepps Aglia nº1 dourada com pintas vermelhas. Como a ribeira tem uma dimensão muito pequena, torna-se extremamente dificil trabalhar o rapala. Só a colher faz estragos, porque consegue trabalhar eficientemente em espaços muito curtos. Muitas vezes cai na água e a truta ataca logo!

Encetei a pescaria, caminhando para jusante, de modo a tentar bater a zona de campos e leiras até à foz. A minha escolha por esta zona tem a ver com a abundância de alimento para as trutas. Zonas de campos, vales e planicies com agricultura têm elevadas densidades de insectos e outro tipo de alimentos e obviamente tendem a produzir trutas de maior tamanho. Os primeiros lançamentos foram-me apresentando as primeiras trutas da área. Pequenas trutas, com muita força e muito bravas, que chegavam a seguir a colher, mesmo quando ela fazia um percurso rápido à contra corrente. Os lançamentos tinham ser medidos e não podiam existir falhas. Erros de lançamento significavam imediatamente perda de amostra ou trutas assustadas que corriam para jusante, espantando todas as suas congéneres em 10 a 20 metros de ribeira. Os lançamentos tinham que ser realizados de forma milimétrica. A colher, muitas vezes, só pescava durante meio metro, mas era o suficiente para tentar as trutas.

Durante esta excelente tarde de pesca, fui usufruindo do excelente sol e do cantar do cuco. A pescaria andava quase em segundo plano. Os lançamentos estavam-me a sair bem e tinha tido várias picadelas de trutas sem a medida durante os primeiros 300 metros de ribeira. Isto até chegar a um lindo cotovelo da ribeira com uma extensão de 10 metros (foto capa). Pareceu-me sitio ideal para uma truta de tamanho razoável. Realizo um lançamento de montante que cai mesmo no final do cotovelo e começo a recuperar lentamente a contra corrente. A amostra trabalha durante 2 metros e de repente sinto um forte esticão na linha e vejo uma truta a saltar fora de água. Tinha tido sorte :)! Com alguma calma, controlo os movimentos da truta tentando afastá-la dos ramalhos, encosto-a à margem e puxo-a para cima com um só golpe. Que lindo peixe! Apesar de não ter a medida e ter sido devolvida rápidamente à água, era um exemplar precioso da Ribeira de Cardielos, com uma mistura de cores entre o negro e o castanho claro, salpicada por lindas pintas vermelhas e pretas. 

Com esta captura, a minha missão ficou práticamente cumprida. Ainda avancei mais 100 ou 200 metros, mas nunca cheguei perto da foz. Levei um ou dois toques, mas nada de significativo. Simultaneamente, o fio de pesca começou a rarear no carreto, devido aos vários cortes que tinha realizado durante o dia. Os lançamentos tinham que ser mais curtos e nalguns casos eram interrompidos por um nó de emenda de fio que estava na bobina do carreto. Já era altura de visitar as lojas de pesca em Viana e deixar em paz as trutas da Ribeira de Cardielos. Tinha ficado bastante satisfeito só de saber que elas estão bem de saúde. Esperemos que se mantenham assim nos próximos anos para eu as poder visitar de vez em quando 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.