Bogas à colher no Rio Côa!

Bogas à colher no Rio Côa!

Dia 1 de Maio, dia do trabalhador e também do pescador, pois é feriado! Para alguns de nós é um dia simbólico, pois está associado à abertura das lagoas da Serra da Estrela. Este ano não consegui ter acesso às licenças em tempo útil e portanto tive que adiar a minha visita anual a este local mítico. Espero que por lá as coisas tenham corrido de feição!

Perante este cenário, resolvi visitar mais uma vez a zona raiana. Da última vez, tinha tido excelentes surpresas e ficou sempre a vontade de voltar. O plano que tinha em mente era de dividir as minhas iniciativas pelos rios Côa e Mondego. Infelizmente, um estouro de um pneu no meu carro não me permitiu passar da tarde de Sábado. Mesmo assim, ainda deu para passar três horitas no rio Côa, a jusante da Rapoula do Côa.

Mais uma vez, repeti o ritual tipico de pesca nesta zona. Acordei tarde, passei por Espanha para atestar o depósito de combustível e só cheguei ao local por volta das 10 horas. Não visualizei nenhum carro na margem do rio, nem pescadores nas margens. O tempo estava relativamente instável, com muitas nuvens altas, rajadas de vento relativamente forte e algumas abertas. Estava esquisito. Até parecia tempo de trovoada, mas com algum frio à mistura. Sem saber muito bem como começar, resolvi pegar no equipamento de light spinning que já estava montado da semana anterior: cana de 1,8 metros, linha 0,12 e Mepps Aglia nº1 pintas vermelhas. Com este material, fiz-me ao rio.

O rio apresentava uma corrente razoável e logo pensei que a Barragem do Sabugal deveria estar a debitar. Não devia estar muito errado! Portanto, iria bater para montante, seguindo pela margem esquerda, de modo a ficar com o sol nas costas. Lá fui realizando os primeiros lançamentos nas correntes. Comecei a sentir toques. Mas eram toques muito leves para serem trutas. Estava intrigado. Seriam escalos, barbos? Bem, enquanto se mantinha a dúvida, fui avançando ao longo da margem. Nas zonas dos açudes e com menor cobertura vegetal, fui sempre tentando realizar lançamentos que fossem o mais longos possível. Mas nada! Senti sim um forte toque, num lançamento curto para montante ao longo da margem em que me encontrava. O lançamento foi realizado no seguimento de um muro de pedra que servia de margem nessa área em concreto. Não consegui verificar se era truta ou não, mas o local era prometedor.

Mais à frente, entro num poço cercado de árvores e com uma pequena entrada de corrente (foto abaixo). Parecia-me o local para capturar uma boa truta. Primeiro lançamento para montante, produz um leve toque (já estava a ficar farto :))! Segundo lançamento, nada. Ao terceiro, sinto um bom esticão quando a colher já está a cerca de 10 metros da margem e verifico que tenho um peixe preso na linha. No entanto, não era truta. Não estava a dar a luta tipica. Senti uma corrida com alguma força e algumas leves cabeçadas. Fui puxando calmamente e vi que era uma boga (capa)! Tinha cerca de 20 centimetros e prestou-se a uma excelente foto, tendo sido rápidamente devolvida à água. Já não era a primeira que apanhava à amostra, mas é com certeza a primeira que aparece neste site. À semelhança dos barbos, ainda não consegui perceber porque é que estes peixes atacam a colher só em determinadas ocasiões. É um mistério que continua por esclarecer!

O que fiquei a saber, é que provavelmente todos os toques leves que tinha tido até ao momento deviam ser devidos ao pequenos ataques de algumas bogas.  Trutas nem vê-las! Portanto, comecei a planear a possibilidade de mudar de local. Regressei ao carro, comi alguma coisa e fiz-me à estrada. Passado 2 kms, rebentou-me um pneu a baixa velocidade. Foi o que me valeu! Começaram as chatices e a pescaria do fim de semana ficou comprometida. Ainda bem para as trutas 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.