No Lima – entre descargas da Barragem.

No Lima – entre descargas da Barragem.




No dia 6 de Março, domingo, resolvi voltar ao Rio Lima para tentar as bravas trutas. Depois de um sábado com muitos pescadores nos rios, só fazia sentido visitar uma grande massa de água no dia a seguir, esperando que algumas trutas tivessem escapado às linhas de pesca e amostras mais ousadas.  Simultaneamente, também tinha alguma esperança de que a Barragem de Touvedo adoptasse o regime de débito menos pronunciado e como tal colocasse ao nosso alcance áreas mais produtivas.

Animado por esta expectativa, avancei directamente para uma série de correntes localizadas algures a meio do caminho entre Ponte de Lima e Ponte da Barca. Mal cheguei, fiquei satisfeito pelo facto de o rio se encontrar com um caudal médio, o que indiciava boas condições para tentar algumas trutitas. Iria pescar para montante, tentando utilizar uma combinação de X-Rap, Salmo Hornet e colher Mepps nº2 dourada com pintas vermelhas. A utilização das amostras seria realizada em função da profundidade e da força da corrente.

Para começar, entrei numa corrente com alguma profundidade e aí pus o X-Rap a nadar. Trabalhei a corrente durante 20 minutos, mas nada.  Ainda vi uma truta a mexer debaixo da minha margem, mas estava muito picada e nem sequer quis olhar para o peixe artificial. Bem … o cenário não era muito animador, portanto avancei para montante a caminho da saída de um açude, onde as correntes eram muito menos profundas.

Nas correntes menos profundas, resolvi meter a Mepps e trabalhar todos os recantos por detrás das algas e por entre os ramalhos secos. Lá consegui entrar num ou dois locais mais dificeis debaixo de umas árvores, aos quais só se pode ter acesso quando a barragem de Touvedo tem débitos moderados, e num lançamento para montante sinto o primeiro puxão a sério. Era truta e tinha cravado bem! Como não era muito grande, acabou por não dar muita luta e rápidamente a consegui por ao meu alcance. Deitei-lhe a mão, admirei a sua beleza única e verifiquei que a truta tinha cerca de 22 cm. Rápidamente a devolvi à água.

Animado por este pequeno sucesso, resolvi continuar a bater ainda mais para montante. Fiz a saída do açude e comecei a entrar numa zona de correntes e poços profundos. Aí comecei a ver as primeiras pegadas frescas e pensei logo que a coisa estaria mais complicada. Meti o Salmo Hornet e tentei trabalhar ao máximo todos os poços, mas sem sucesso. Insisti durante mais de duas horas, porque o lugar é excelente para grandes exemplares, mas parecia que o rio não tinha trutas … e as condições não estavam nada más!

Entretanto, comecei a encontrar vários pescadores que tinham vindo pescar em grupo: uns à minhoca outros à amostra. As margens começaram a aparecer super pisadas e a esperança começou a esmorecer. Pelos vistos, não tinha sido o único a querer aproveitar a redução de caudal. Ainda falei com alguns pescadores e todos reportaram cestos vazios. Rápidamente, tomei a decisão de pegar no carro e avançar mais para montante … Boa decisão, até porque de repente o caudal começou a aumentar exponencialmente … a comporta da Barragem tinha-se aberto!

Decidi ir dar uma vista de olhos à Barragem de Touvedo. Parei junto ao muro, mas as condições estavam dificeis. O nível da albufeira não estava muito alto, mas não corria ponta de vento e o céu estava muito claro. Isto já para não falar nas margens secas, em que cada passo era sinónimo de um barulho que espantava as trutas a léguas de distância. Ainda conduzi mais um bocado e fiz um ou dois buracos ao X-Rap na Barragem, mas foi tempo perdido. Levei só um toque de algo que me pareceu um bom escalo … descravou-se!

Com este panorama, desanimei e decidi voltar para a casa. Quando ia a passar novamente pelo muro da Barragem, verifiquei que a mesma estava sem qualquer débito. Oh … maravilha!! Fiz 700 metros de estrada para jusante e toca a atacar uma boa sequência de poços e correntes. Numa hora, pesquei com X-Rap e Mepps nº1 em zonas espectaculares. Tive dois toques e uma truta que se descravou. Vi mais de 8 trutas a mosquear e quase acardumadas, mas também notei, que as grandes trutas não andavam activas. Enfim, foi o último suspiro do dia … de repente comecei a ouvir barulho de água … noto a água perto de mim a subir ligeiramente e olho para montante e vejo a corrente a engrossar de forma valente … 🙁 Toca a andar para sitio seguro … que se faz tarde! No Lima, não convém facilitar …

Com esta subida rápida das águas, dei por terminado mais um dia  de pesca no Lima. O caudal estava bom nas alturas em que pesquei, mas as alterações súbitas dos débitos da barragem e a pressão piscatória do fim de semana punham em causa o sucesso de qualquer pescaria. Claramente que há que esperar por dias  mais calmos para voltar a atacar este grande rio 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.