Rio Coura – A tornar o difícil, fácil …

Rio Coura – A tornar o difícil, fácil …




Mais um dia e mais uma visita ao Rio Coura. A verdade é que este ano não me tenho cansado de visitar esta massa de água, começando pelo dia da abertura, e cada vez que lá vou, mais me apetece lá voltar rapidamente. É claramente um dos melhores rios truteiros que temos no nosso país.

Desta vez, nem perdi muito tempo. O dia amanheceu cinzento com alguma chuva ligeira intermitente e eu já sabia para onde ia. Rio Coura, mais concretamente numa zona onde todos param e onde as trutas estão sempre por lá. Mas muitas vezes só para dar baile ao pescador mais incauto 🙂

O desafio era sempre o mesmo. Será que elas hoje iam picar??

A zona não se prestava a muitos lançamentos. No máximo 20 lançamentos seriam mais do que suficientes para tirar a prova dos nove. Com margens elevadas e trutas super desconfiadas, houve que recorrer ao material de light spinning de longo alcance: cana de 1,8 metros, linha 0,12 da Fendreel e Mepps Aglia nº1 da ordem.

O primeiro lançamento saiu por volta das 9 horas da manhã. Lançamento cruzado a entrar junto à outra margem do rio, deixo afundar a amostra e começo a recuperar. Nem toque, nem aspecto de truta. A água estava com uma cor ligeiramente azulada e reflectia o tom cinzento do céu. Não conseguia ver muito bem o que se passava debaixo de água e tão pouco via aspecto de trutas. Pensei logo que a minha concorrência já tinha limpo a zona.

Segundo lançamento! Mesma técnica e atirei a amostra um pouco mais para a direita. Começo a recuperar lentamente e quando a amostra vem no centro do rio, vejo um brilho metálico a reflectir no centro e uma truta a dobrar na amostra. Cravou-se automaticamente. Firmei a cana e rapidamente senti que a truta estava bem cravada. A luta tinha começado 🙂

O principal problema do meu lado era a altura das margens. Eu nunca ia conseguir deitar-lhe a mão ou estender o camaroeiro. Tinha que a cansar e a levantar a peso. A truta bem se fez de difícil. Deu várias corridas e tentou passar a linha por vários ramos e raízes. Lá a consegui segurar in extremis, mas ela lá conseguiu por um ramalho à frente da linha. Com calma, levantei-lhe a cabeça quando já estava cansada, medi mais aos menos a força a aplicar e dei um puxão forte com a cana. A truta levantou voo, passou por cima do ramo e veio cair mesmo ao meu lado, já descravada do anzol. Enfim, mais uma cena artística, mas com excelentes resultados. Tinha capturado um excelente exemplar com cerca de 22 cm.

A captura deu-me bastante gosto e ainda tentei explorar melhor o local com vários lançamentos, mas só voltei a ver duas trutas muito pequenas. Cheguei à conclusão que não valia a perder perder muito mais tempo por ali. Só o facto de tirar ali uma truta no fim da época, já tinha sido algo de registo. Ia ter que avançar para sítios mais promissores, e não muito longe dali. E sítios de qualidade é que não faltavam!!

Para aqueles que conhecem bem o Coura, já sabem onde é que eu estive??

Foi mais uma daquelas cenas reincidentes que marcam várias vezes as minhas temporadas e que aparecem relatadas por aqui. Se ainda lá fosse hoje, se calhar até tirava mais uma trutita 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.