Surpresa inesperada de final de manhã no Lima

Surpresa inesperada de final de manhã no Lima

Mais uma manhã de Verão e mais uma vontade enorme de voltar a tentar as trutas do Rio Lima. Sendo este um dos meus rios favoritos, nunca me canso de o visitar muitas vezes durante uma temporada, mesmo quando os resultados não são muito famosos em termos de quantidade e qualidade de capturas. Este ano, por acaso não me posso queixar muito, mas também já vi anos melhores.

Sem saber o que esperar do Rio Lima, nesta manhã de Sábado, devido à possibilidade de descarga da Barragem de Touvedo, resolvi avançar para a zona de Ponte da Barca. Ao longe, e à medida que ia fazendo estrada, parecia-me que o rio apresentava condições normais para a prática do spinning, no entanto, só quando cheguei ao local é que me certifiquei de que a barragem estava calma. Estava a ser descarregada alguma água, mas o caudal era reduzido.

Com este cenário, que me pareceu interessante, pois permitia-me por a amostra ao alcance das trutas, independentemente da profundidade a que se encontrassem, decidi-me pelo material de light spinning com cana de 1,8 metros para forçar a distância máxima dos lançamentos. O local escolhido para pescar foi algures entre Ponte da Barca e o muro da Barragem de Touvedo, procurando explorar uma zona de poços fundos, entremeada por alguns açudes e correntes.

Os primeiros lançamentos surgiram num desses poços. Estava preocupado em bater toda a área, procurando sobretudo colocar a colher nas zonas com sombras e no fundo dos poços. Não era fácil, mas tinha que ser assim. As trutas não pareciam estar com muita vontade de se mexerem e, portanto, tinha que ser eu a tentar por-lhes o isco em frente ao nariz.

Bem tentei, mas elas estavam completamente sem vontade de morder. Havia alguma actividade de superfície, mas eram quase sempre escalos que se divertiam a apanhar alguma mosca mais desprevenida. As trutas não se mostravam e era preciso insistir duas e três vezes no mesmo local para se conseguir ver alguma a seguir a colher. Isto era, possivelmente, um sinal indicativo de que a pressão de pesca naquele local já tinha ultrapassado o razoável ou então de que a fase da lua estava claramente contra os pescadores.

Foram duas horas com pouco interesse. Vi alguns exemplares de trutas, mas nada de bom tamanho, nem em densidades que me surpreendessem pela positiva. De facto, naquele mesmo local, já tinha tido oportunidade de ver mais e melhores trutas em temporadas não muito longínquas, o que poderá ser um sinal de que a zona estará a sofrer alguma regressão, no que diz respeito às trutas.

Cheguei a um ponto em que a única coisa que me estava a dar algum gosto era acompanhar a evolução da amostra dentro de água e a precisão de alguns lançamentos. Assim, fui passando o tempo até chegar à hora do almoço e a uma zona de correntes mais vivas, onde prometi a mim mesmo que iria terminar a sessão de pesca.

Meti-me no cimo de uma pedra a olhar para a corrente que vinha na minha direcção. A 20 metros, a corrente tinha uma profundidade de cerca de 1 metro e depois vinha desembocar num poço com mais de 4 metros, encostado à pedra onde me encontrava. Primeiro lançamento para montante, nada. Segundo lançamento para o mesmo local, nada. Terceiro lançamento ligeiramente mais para direita, sinto um leve toque na amostra. Quarto lançamento para o mesmo sítio do anterior, começo a recuperar com calma, trago a amostra quase até à pedra e quando me preparo para levantá-la para fora de água, vejo uma sombra a subir e a fechar a boca. A cana dobra-se, o travão do carreto começa a cantar e eu levanto a cana e alivio o carreto ao máximo.

Pela força enorme que o peixe estava a fazer, vi logo que não se tratava de bicho pequeno 🙂 Como estava em zona desimpedida, resolvi deixá-lo levar o máximo de linha possível, procurando apenas evitar que se metesse muito para o fundo ou se encostasse demasiado à margem ou algum obstáculo que eu estivesse a ver. Sem o conseguir ver uma única vez, o peixe levou mais de 30 metros de fio na primeira corrida. A força que o bicho tinha não me permitia grandes tensões de linha e portanto fui afrouxando o travão. Mais uma corrida para cima e outra para baixo, e comecei a sentir que o peixe começava a perder força. Lentamente, fui forçando o carreto e aumentando a pressão do travão. O peixe começou a emergir e eu vi que se tratava de um barbo, mas com um bom tamanho. Pelo tipo de luta, já tinha desconfiado, mas só depois de ver é que fiquei com a certeza!!

Apesar de apresentar alguma fraqueza, o peixe ainda não estava dominado. Saquei de camaroeiro e aproveitei mais um ou dois minutos para por-lhe a cabeça fora de água e cansá-lo ainda mais. Quando notei que já podia arrastá-lo um pouco, meti o camaroeiro e à quarta tentativa lá o consegui tirar. Isto, porque o barbo mal vê o camaroeiro, parece que ganha novas forças. Tem uma potência impressionante.

Com linha 0,12 da Fendreel, cana de 1,8 metros e amostra Mepps Aglia nº1, capturei um senhor barbo de 51 centímetros do Rio Lima. Este é o tipo de peixe que muitas vezes me rebenta linhas de 0,26 ou ainda mais grossas, portanto, conseguir dominá-lo com 0,12 é sempre obra.

Com esta captura, achei que já não valia a pena continuar. Tinha sido um momento espectacular em termos de combate e as trutas por ali não queriam nada comigo. Estava na altura de almoçar e pensar em visitar um novo lugar, se calhar mais promissor.

Não era atrás dos barbos que eu andava, mas sim atrás das trutas 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.