De pesca às trutas no Rio Vade …

De pesca às trutas no Rio Vade …

Já há muito que tinha vindo a falar sobre a possibilidade de visitar o Vade este ano, mas as datas eram sempre as erradas. Isto até que em meados de Junho, o Prof. Arlindo Cunha me desafiou para uma pescaria em conjunto. A ideia era funcionarmos em trio, incluindo o amigo João Dias, mas por motivos profissionais, acabamos por só ficar eu e o amigo Arlindo.

A hora de partida do Porto foi marcada para as 6 da manhã e depois de passarmos pelo Restaurante Ponte do Neiva para levantarmos as licenças, que o amigo João Dias gentilmente tirou, resolvemos avançar para Ponte da Barca. Durante o caminho, fomos preparando a estratégia, até porque no dia anterior tinha chovido. No entanto, desconhecia quais as condições exactas do Vade, já que a chuva tinha sido bastante irregular na zona norte. A ideia era fazermos os lotes 1 e 2 lado a lado, e tal tarefa não nos devia ocupar mais do que 4 horas.

Mal chegamos a Ponte da Barca, deparamos logo com uma Feira instalada junto à foz do Vade. As pobres trutas da zona já deviam estar bem espantadas, mesmo antes de chegarmos. Depois de uma vista de olhos rápida pelo rio, fiquei um pouco desanimado com o que vi. Apesar da chuva do dia anterior, o rio corria com um caudal normal e uma cor transparente. Portanto, a sessão de pesca ia apresentar algum nível de dificuldade. Perante o cenário observado, resolvemos utilizar o material de light spinning, em que a Mepps Aglia nº1 foi o isco de eleição.

Começamos a bater junto à foz do Vade no Rio Lima. No pequeno troço até à ponte da estrada nacional, vi duas ou três trutas e levei dois toques. Claramente, uma situação bastante oposta à pescaria do ano passado, onde nesta zona tirei logo 2 ou 3 trutas. Senti que o barulho da feira poderia ser uma das explicações, mas certamente que não seria a única. O amigo Arlindo também não teve qualquer sorte, pois nem um toque tinha levado.

Da ponte para montante, começamos a notar que as margens do rio estavam bem calcadas, possivelmente de pescador que ali tinha passado há dois ou três dias. Entretanto, a sessão de pesca começou a melhorar. Surgiram as primeiras trutas mais agressivas e voltei a levar dois toques sem conseguir cravar. Elas já estavam a querer. Num lançamento mais para montante, vi a primeira truta razoável, com cerca de 28 centímetros, atrás da colher. Era uma questão de tempo até que a primeira caísse.

Assim, e chegado a uma zona de corrente mais funda, lanço para montante, começo a recuperar e sinto um toque na linha. Cravo imediatamente e vejo uma brava truta a saltar do outro lado. Puxo-a para jusante e ela tenta fugir no sentido oposto. No entanto, e como tinha cerca de 22 centímetros, não demorou muito tempo a cansar-se e rapidamente parou nas minhas mãos. A primeira já cá estava!

Com esta primeira captura, que só ocorreu 45 minutos após o início da pescaria, entrou alguma animação no nosso seio. O amigo Arlindo arrancou para montante da ponte romana e eu fiquei para jusante. Nesse local, e lançando por baixo da ponte, começo a recuperar e sinto um toque forte do outro lado. A truta cravou-se e eu comecei a puxá-la no meu sentido. Ela bem tentou de tudo, mas como tinha um pequeno tamanho não tardou a acabar na minha mão. Era um lindo exemplar, mas estava danificado pelo aro à volta do corpo (história do post anterior). Resolvi libertá-la daquele objecto estranho e devolvi-a à água em boas condições.

Mais acima, e numa zona mais calma, encontro o amigo Arlindo que tem grandes novidades para mim. Ao avançar para a ponta de um açude, ele deparou-se com uma truta de 2 kilos que andava a patrulhar a zona e que o viu imediatamente. Bem tentou fazê-la mexer, mas sem resultados.

Entretanto, e com açudes mais generosos e largos, começaram-se a ver trutas de maior tamanho. Vi cerca de 10 trutas com tamanhos entre os 28 e os 35 centímetros em zonas muito específicas e difíceis de lançar. Aliás um facto também confirmado pelo amigo Arlindo. Lembro-me que no ano passado, na mesma zona, existia sobretudo uma boa densidade de trutas de pequeno tamanho, mas esse facto tinha-se alterado. Perante isto, tentei forçar ao máximo a dificuldade dos lançamentos para me afastar o máximo possível da margem. Mesmo assim, a elevada altura das margens, colocava-me em desvantagem em quase 100% das situações.

No entanto, não há bela sem senão, e numa zona bastante fechada, consigo um lançamento largo milagroso e quando a amostra toca na água, já estava uma truta de bom tamanho ferrada. Ela saltou logo fora de água e eu apliquei força máxima para a trazer para jusante. Ela lá resistiu, mas quando notou que era difícil bater a corrente com uma linha às costas, virou para trás. Lá a trabalhei durante dois minutos e quando vi que estava controlada, desci a margem, tirei o camaroeiro e à quarta passagem meti-a lá dentro. Um lindo exemplar do Vade com cerca de 27 centímetros e com umas cores espectaculares.

Truta 27 cm Rio Vade Junho 2013

Depois desta captura, começamos a entrar na fase final da pescaria, pois tínhamos terminado o lote 1 e o lote 2. Devido ao elevado número de correntes, algumas muito pouco fundas, o lote 2 consegue-se bater rapidamente. O Prof. Arlindo ainda não tinha tirado nenhuma e eu consegui facturar mais uma já no final do lote.

No lote 2, o andamento mudou para um nível mais elevado. Tirei duas trutas e o amigo Arlindo tirou também um pequeno exemplar para safar a honra. As trutas ali estavam sobretudo à saída das correntes e tinham um pequeno tamanho. A não ser num ou dois cotovelos do rio, onde existem pequenos poços, o resto é tudo correntes e portanto, não há muito que palmilhar. Em pouco mais de 1 hora e meia, fizemos o lote 2, sem nada de relevante para contar, a não ser que da próxima vez temos que escolher outro lote com mais poços.

No global, esta visita ao Vade foi pautada por condições mais difíceis de pesca relativamente ao ano passada. As trutas estavam mais difíceis e a densidade era menor. No entanto, e pela positiva, verifiquei que o número de trutas grandes aumentou, e isto pode ser um bom sintoma para as próximas épocas. Também me pareceu que as condições climatéricas não eram as ideais para a faina. O céu claro e a temperatura a aquecer não ajudaram nada à pesca.

De qualquer forma foi bastante bom voltar ao Vade e passar alguns bons momentos com as suas trutas 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.