Dia de calor com barragem aberta no Lima

Dia de calor com barragem aberta no Lima

Dia de calor com temperaturas previstas superiores a 40 graus em inícios de Julho. Apesar de os dias de calor intenso não serem os ideais para a truta, resolvi visitar uma das zonas onde eu pensava que ainda poderia encontrar algum exemplar mais activo; o rio Lima. Depois de um início de temporada com muita chuva e muita descarga da Barragem de Touvedo, era de esperar que as trutas tivessem sido salvaguardadas pelo caudal elevado e que agora pudessem ser pescadas de forma mais eficaz. Aliás, foi com base nesse pressuposto que me desloquei ao rio Lima. Só tinha que escolher uma zona com sombra, pois com 40 graus, elas gostam pouco de estar expostas em zonas desabrigadas sem corrente.

Arranquei cedo e cheguei ao IC entre Ponte de Lima e Ponte da Barca por volta das 8 horas da manhã. Pareceu-me tudo bem até que cheguei a Ponte da Barca e vi o rio levantado com a Barragem de Touvedo a descarregar. Bem … fiquei logo desorientado. Não foi com base naquele cenário que tinha planeado a sessão de pesca e com aquele caudal, vi logo a vida a andar para trás. É que nem tirei a cana do carro. Ainda pensei que nesta altura as descargas fossem mais reduzidas, mas nada disso. É sempre a andar … haja água e que não nos falte durante o Verão!!

Com este cenário a rolar, dei meia volta e resolvi entrar numa zona mais a jusante, onde o efeito do caudal poderia ser mais dissipado e onde poderia tentar mexer algo de maior tamanho. Optei por meter uma colher Mepps Aglia nº1, porque apesar do caudal, o forte calor e a boa visibilidade não me faziam crer que a truta atacasse a isco muito grande. Também queria explorar as zonas mais calmas debaixo das árvores e aí as trutas andam sobretudo à cata de insectos e preferem isco mais pequeno.

A jornada começou eram 9 horas e trabalhei a margem direita para montante. Foi uma experiência com muito pouco resultado. O calor entrou logo de manhã e notava-se que os peixes se mexiam a muito custo atrás da amostra. Mesmo em zonas muito boas, era difícil mexer uma truta. Insisti durante mais de duas horas e os resultados não se fizeram sentir. Só a muito custo, consegui mexer duas ou três trutas pequenas em zonas com sombra.

Já no final, e numa queda de água bastante considerável, consegui safar a grade. Bati a queda de água de forma intensiva, utilizando rapala, colher mais pesada e a nº1. Só num canto com sombra e onde corria um pequeno rego de água é que consegui facturar. Lançamento mesmo para a queda de água, começo a recuperar e a truta cravou quase que automaticamente. Ainda se tentou meter entre algumas ervas que estavam próximo da margem, mas sem resultado. Rapidamente acabou nas minhas mãos. Um lindo e único exemplar de truta comum do Lima com 17 centímetros.

Truta 17 cm Rio Lima Julho 2013

Depois desta captura, e tendo batido um bom troço, desmoralizei completamente. O calor começou a apertar de tal maneira que precisava mesmo era de almoçar. A manter-se aquela combinação de descarga de barragem com temperatura super quente iria ser difícil por as trutas a correr atrás da amostra.

O Lima tinha-me pregado mais uma partida. Com o caudal em baixo a história seria diferente. O problema é adivinhar quando isso acontece. Das vezes que visitei o Lima, tenho comprovado que as aberturas são cada vez mais e mais irregulares. É o problema de quem pesca em rios com barragens 🙁 Nunca se sabe como está … mesmo em Julho e com 40 graus!!

Também já sei que nestes dias, o melhor é pescar de manhã muito cedo e ao final da tarde, mas o vicio é cego 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.