Pesca ilegal ao salmão no Rio Minho

Pesca ilegal ao salmão no Rio Minho

Depois de já muito ter sido dito sobre a importância da preservação do Salmão para a pesca desportiva nacional, verifica-se que se mantém a mesma atitude por parte alguns pescadores mal formados que frequentam as margens do Rio Minho. Recentemente, recebi novidades de que se continua a pescar salmões no Rio Minho fora de época e de qualquer maneira. Isto, nos finais de 2013, e apesar das restrições recentes impostas pela Capitania. O que nos faz pensar que, sem fiscalização assertiva e condenações exemplares, as leis só servem para encher pneus e dar trabalho a meia dúzia de advogados.

Esta situação de furtivismo descarado, que já era muito comum no Rio Minho há décadas atrás, faz-nos pensar se evoluímos alguma coisa em termos de mentalidade de gestão dos nossos recursos piscícolas nos últimos anos. Efectivamente, parece-me que não, e apesar de o problema não ser unicamente dos pescadores desportivos, alguns destes crimes são cometidos por esta classe. Isto só nos faz pensar que as mentalidades são quase as mesmas de há 100 anos atrás, com a agravante de termos uma população dizimada de salmões. Perante este cenário, a proibição e a perseguição exaustiva continuam a ser as únicas formas de preservar recursos preciosos neste país.

Captura de truta Rio Minho Troporiz

Perante isto, começo a acreditar que a pesca desportiva no Rio Minho tem que ser limitada ao período de pesca activa do salmão, especialmente para montante de Valença, sendo depois realizada uma fiscalização exaustiva fora desse período. O Rio Minho por ser o último baluarte do salmão atlântico em Portugal merece um regime especial que vise a protecção desta espécie simbólica. Se os pescadores desportivos e outros que o frequentam não têm a maturidade suficiente para saberem preservar esta espécie de forma conveniente, então a solução é mesmo limitar totalmente a sua esfera de acção.

Continua a ser ridiculamente elevado o número de pescadores que estão a pescar ou são fiscalizados na margem do rio e dizem que estão ao barbo ou a outras espécies em Novembro e Dezembro para depois levarem um salmão ou várias trutas para casa. Esta gente não respeita qualquer lei e aproveita-se dela para conseguir levar os seus intentos até à última. Aliás, esta situação lembra-me aquilo que se passa em Pisões, onde mal comece a desova das trutas, vai ser só indivíduos a pescar na foz dos ribeiros e a encher sacos de batatas com trutas!! Andam ao barbo e ao lucioperca (dizem eles!!).

Perante isto, volto mais uma vez à vaca fria. Há que condicionar a pesca no Rio Minho ao período efectivo para a pesca ao salmão e incrementar as sanções por pesca ilegal para níveis incomportáveis. Só assim se pode reduzir de forma clara o número de falsos pescadores desportivos que se aproveitam da lei para pescar fora de época. Já agora, há também que estender esta medida a outras massas de água, como por exemplo Pisões.

Simultaneamente, convém não esquecer a fiscalização que continua a não existir. Sem fiscalização, a proibição não serve de nada!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.