A malhar em Ponte de Lima …

A malhar em Ponte de Lima …


Num Sábado de Maio, eu e o Cândido Lamas combinamos uma pescaria às trutas no Rio Lima. A ideia era pescar alguns dos maiores poços que conhecemos na zona entre Ponte de Lima e Ponte da Barca, à procura de bons exemplares. As expectativas eram muitas, até porque as previsões meteorológicas eram favoráveis, mas tudo podia ser deitado a perder se a Barragem de Touvedo estivesse a funcionar ou se o sol atacasse em força.

Planeamos a pescaria para bem cedo e portanto às 7 horas da manhã já estávamos na margem do Lima perto de Ponte de Lima. Equipamos as canas com material de heavy spinning e toca a andar para o rio.

Apesar da zona que íamos pescar ser muito batida pelos pescadores profissionais, a parte da manhã até às 9h30 acaba por ser a mais produtiva, pois a partir dessa hora é maior a movimentação de barcos e de outros pescadores no rio.

Os primeiros lançamentos saíram num poço com dimensões razoáveis. Via-se um ou outro movimento à superfície, mas não sabíamos se eram trutas ou escalos. O Cândido foi ligeiramente mais para jusante e eu mantive-me firme no mesmo local. Lancei incessantemente à procura da outra margem, mas sem resultados, nem sequer um toque. Num desses lançamentos, e enquanto recuperava a amostra, vejo um movimento na água junto à minha margem, 20 metros para montante e por debaixo de um salgueiros. Acabei de recuperar e lancei imediatamente para o local.

A amostra cai dois metros ao lado da zona onde vi o último afloramento. Comecei a recuperar e mal a amostra deu duas voltas, sinto um puxão forte e cravo uma linda truta, que imediatamente saltou fora de água. Sem grandes dificuldades, e uma vez que estava com 0,20, segurei-a e puxei-a para fora da margem e sobretudo para longe de algumas raízes por debaixo dos salgueiros. Ela ainda tentou fugir para jusante, mas, com calma, e utilizando a força do equipamento, encostei-a aos meus pés sem dificuldade. Mais uma linda truta do Lima com 28 centímetros.

Truta 28 cm Rio Lima Maio 2015

Depois desta captura, ainda fiz mais alguns lançamentos e nem sinal de peixe. Sem novidade, juntei-me ao Cândido, que tinha tido dois toques, e resolvemos avançar mais para montante.

Batemos todos os locais mais produtivos de forma exaustiva, mas sem resultados. O dia até estava bom, mas, sabe-se lá porque razões, as trutas não queriam mexer. Pegamos no carro e mudamos de local, mas mais do mesmo. O sol apareceu a meio da manhã e ainda tornou a pesca mais difícil.

Para resumir o que se passou após essa altura, basta referir que se deixou de ver trutas durante o resto do dia. Mesmo em zonas que normalmente albergam sempre alguns exemplares, a situação era crítica. Claramente que nos pareceu um reflexo da excessiva pressão de pesca a que as trutas foram submetidas desde a abertura, senão mesmo durante todo o ano, por parte dos desportivos e sobretudo dos profissionais. Efectivamente, nalguns rios a pressão de pesca chega a ser de tal ordem que as trutas já nem querem saber das amostras e penso que a situação no Lima chegou a esse ponto.

Enfim, mesmo com uma jornada tão fraca, valeu a pena bater o Lima de forma exaustiva. Visitei alguns locais onde já não ia há alguns anos e troquei algumas experiências com o Cândido Lamas. No global, foi um bom momento para desfrutarmos de excelentes momentos de amizade numa zona truteira de primeira qualidade, mas sem trutas …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.