Num ribeiro negro algures no Lima …

Num ribeiro negro algures no Lima …

Dia de Carnaval (8 de Março) … durante uma pescaria no Ribeiro do Outeiro, e com menos de uma hora para queimar antes do almoço, surgiu-me a vontade de visitar uma daquelas pérolas negras que existem nas zonas mais florestadas da bacia hidrográfica do Lima… Um pequeno troço de água com muita folhagem no leito, água de cor chá e muitos nutrientes por todo o lado … Ah … Beleza!!

São vários os cursos de água com este tipo de aparência que se podem encontrar na zona baixa do rio Lima. São ribeiros com margens altas que correm por entre campos e floresta, e que conseguem aguentar uma população estável de trutas, apesar de terem pouca água durante o Verão. Muitos pescadores não dão nada por estes regos de água, mas quem conhece sabe que ali há potencial para capturar algumas trutas e uma vez que outra um bom exemplar nalgum poço mais fundo.

Cheguei então à foz deste ribeiro por volta das 12 horas e com saída programada para as 13. Com cerca de 400 a 600 metros para bater, o tempo era mais do que suficiente. Equipamento de light spinning preparado, técnica de pesca à fisga apurada e toca a começar a bater os melhores lugares. Com a presença de muito silvado e lenha seca, os lançamentos eram dificeis e muitas vezes as trutas eram alertadas pelos nossos movimentos. Só nas áreas mais desimpedidas é que se podia fazer serviço e foi nessas áreas que comecei a ver os primeiros exemplares a bicar a colher.

Fui avançando calmamente, tentando fazer o máximo por lançar de forma eficaz. Passados os primeiros vinte minutos, e depois de ter levado dois bons toques de trutas pequenas, cheguei à confluência deste ribeiro com outro que já estava seco. Pareceu-me um bom local. A alguma distância da margem, faço o lançamento para a margem oposta e mal a amostra cai na água, dá-se um ataque imediato de uma truta. A força da truta foi tal que eu cravei com tal intensidade que ela acabou logo na margem do meu lado. Mas que lindo espécime com 22 cm. Para um ribeiro com dimensões mínimas é um verdadeiro troféu e uma verdadeira beleza indigena, porque por ali não há qualquer hipótese de repovoamento.

A captura deste exemplar fez-me sentir imediatamente satisfeito e com a sensação de dever cumprido. Avancei para mais 30 minutos de pesca numa zona ainda mais apertada em termos de vegetação. Acabou por ser mais caminhar do que pescar. As trutas iam aparecendo, mas as condições de aproximação eram bastante dificeis e muitas fugiam com a minha aproximação ou então não entravam a colher. Só valia a pena lançar uma vez por local.

Finalmente, cheguei á parte final do ribeiro em que o mesmo se dividia em dois cursos de água muito mais pequenos. Num desses cursos vi 9 trutas em menos de 20 metros, com duas delas a medir mais de 19 cm. 4 destas trutas estavam a mosquear de forma seguida e atacaram a amostra mal ela caiu na água. Um ataque relampago, mas sem efeitos práticos 🙂 Este foi o ponto final nesta pequena aventura, pois já se fazia tarde.

Ainda observei as redondezas para ver se existia alguma poça maior ou algum lago que tivesse sido criado pelas últimas chuvadas e que tivesse ligação com o ribeiro. Ás vezes aparecem este tipo de massas de água nalgumas zonas do Lima durante o Inverno e têm trutas lá dentro (algumas de bom tamanho). Nenhuma poça decente à vista … Estava na hora de me dedicar a outra vida … bora para a lampreiada que o dia estava ganho. Já levava boas memórias …. e era isso que eu queria 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.