As grandes trutas de Julho do Mondego …

As grandes trutas de Julho do Mondego …

Segunda-feira, dia 12 de Julho de 2010. Depois de um fim de semana na zona raiana, sem grande novidade em termos de pesca, estava na altura de regressar ao Porto. Como tinha a manhã livre, resolvi acordar cedo, preparar o material e arrancar para o Porto, não sem antes realizar uma paragem cirurgica no rio Mondego na zona da Guarda. O dia estava com muito sol, tinha passado um fim de semana com muitas visitas de pescadores aos rios da zona e portanto o panorama não parecia o melhor. No entanto, haviam factores positivos a notar. A temperatura estava ligeiramente mais fresca e notavam-se algumas nuvens a avançar do litoral. Será que as trutas entrariam em actividade? Bem, nada como uma boa prática para testar qualquer teoria.

Cheguei á ponte da zona da Faia eram 10 horas e estacionei o carro num dos acessos à margem do rio. Troquei o material pesado que tinha utilizado na Barragem do Sabugal por um material mais light: cana de metro, linha 0,12 e colher nº1 Mepps Aglia. Avancei para montante pela margem direita tentando pescar o mais longe da margem possível e procurando as sombras para me ocultar ao olhar atento das trutas.

Comecei logo no açude que se encontra debaixo da ponte da Faia, mais concretamente numa pequena cascata que oxigena a água nas proximidades. Os primeiros lançamentos sairam bem, mas não visualizei qualquer movimentação de peixe; nem trutas, nem escalos, nem sequer alevins. Muito estranho … possivelmente consequências de um fim de semana de pesca! Com as esperanças mais refreadas fui avançando para montante á procura da corrente que desembocava no açude. Lentamente, surgiram os primeiros escalos atrás da amostra. Já muito próximo da entrada de água principal e num lançamento cruzado, vejo uma truta de cerca de 40 cm a abanar a cauda lentamente numa pedra 5 metros á minha frente … claramente em atitude de caça. A amostra ainda vinha longe da pedra e eu já começava a fazer contas de cabeça ao arranque do bicho … Quando a amostra se aproximou, virou-se com calma, dirigiu-se para a amostra, olhou e arrancou de forma lenta e pausada para jusante … à procura de esconderijo.  Pura beleza!!

Com esta aparição, a motivação de pesca subiu exponencialmente. Avancei rápidamente para o açude seguinte. Mais uma vez, comecei a lançar milimétricamente do muro para montante. Vejo um peixe a mosquear na outra margem. Lanço para lá, cabeçada na amostra, mas a colher não crava. Fiquei sem saber o que era! Avancei para a corrente lenta que entrava no açude com profundidade média de 2 metros. Lançamento para montante, recuperação ao longo da corrente principal … de repente perco tracção … volto a ganhar tracção e vejo a colher a rodar. Pedra? Peixe? Continuo a recuperar e de repente um forte esticão, cana dobrada e um bom lombo a rodar dentro de água. Salto para  a ponta da pedra onde me encontrava e preparo-me para tentar controlar a situação. Com fio 0,12 e o travão do carreto a trabalhar, tinha que ter muita calma para tirar aquela truta da água. A truta bem cabeceava e levava o fio até á exaustão, mas fui sempre mantendo a ponta da cana virada para cima e deixando o carreto trabalhar. Tirei o camaroeiro e pus-me em posição de levantar a truta. Foram dois longos minutos … apesar de a truta já apresentar algum cansaço, o seu tamanho era mais do que suficiente para criar problemas. Só após uma longa descarga de adrenalina é que consegui meter a truta no camaroeiro de forma segura. Que lindo troféu. 42cm de puro musculo do Rio Mondego. Uma truta com uma linda cor dourada salpicada por muitas pintas pretas e algumas vermelhas (ver foto abaixo). Um inacreditável troféu quando já estava muito próximo do final da época!

Depois de recuperar da emoção da captura, resolvi atacar a corrente mais viva. Com um lançamento mais preciso para uma entrada de água, consegui levar um valente toque, mas a truta cuspiu a amostra 6 ou 7 metros para o lado. Que força! Ainda mais moralizado por este facto, avancei para uma nova corrente com cerca de meio metro de profundidade média. Novo lançamento de cerca de 30 metros, vejo uma sombra a mexer-se atrás da colher, não morde e arranca com uma velocidade fenomenal na minha direcção. Passou a 2 metros dos meus pés. Era uma truta de cerca de 25 cm que tinha sido assustada pela colher.

Enfim, na hora e meia seguinte, levei dois toques e não consegui cravar nenhum exemplar. No entanto, nenhuma das trutas era pequena! Só passado algum tempo é que voltei a ter alguma acção. Já num outro açude e em águas bastante calmas, realizo um lançamento cruzado para a outra margem e quando a colher está para sair fora de água, sinto uma cravadela e dou um esticão atirando com o peixe para a margem. Não sabia o que era, mas quando me aproximei verifiquei que era um escalo. No entanto, era um escalo diferente daqueles que já tinha capturado noutros locais. Mais negro e com uma boca ligeiramente diferente. Ainda pensei que era um barbo, mas não … Estranho (foto abaixo)!

Depois desta peripécia, voltei a bater mais alguns açudes. A minha atenção estava sobretudo fixada nas correntes que desembocavam nos açudes. Num destes locais, verifiquei que existia um leve fundão perto de uma zona com raízes de árvores. Claramente o local ideal para uma boa truta. Lancei para o local e foi pura magia … mal a colher toca na água, vejo um movimento brusco e a água explode com grande força … Tinha cravado mais uma boa truta do Mondego. Com muita energia, a truta arrancou para jusante à procura de cobertura vegetal. Só a muito custo consegui travar os seus intentos. A truta estava verdadeiramente endiabrada e mais louca ficou quando viu o camaroeiro dentro de água. Chegou mesmo a meter-se debaixo da minha margem, mas com calma lá a consegui encostar a algumas algas onde se sentiu mais segura. Sem perder tempo, meti-lhe o camaroeiro por baixo e siga para cima. Uma truta belissima de cor escura e prateada medindo 32 cm (ver foto). Era ouro sobre azul.

Com esta última captura, fiquei verdadeiramente sem palavras. A satisfação era mais que muita e portanto achei que já tinha a minha conta. O tempo passou tão depressa que só por acaso reparei que já eram quase duas horas da tarde. Sem mais, resolvi voltar ao carro para atender a outros compromissos. O dia já estava marcado a ferro e fogo por uma jornada de spinning única e claramente excepcional atendendo à época do ano. As grandes trutas do Mondego mostraram a sua força …. 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.