Os protectores das trutas de Campia.

Os protectores das trutas de Campia.

Na mais recente deslocação que realizei a Campia, tive a oportunidade de aprender com quem sabe em matéria de protecção e salvaguarda do património truteiro nacional. O Miguel Pereira e o seu sogro, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Campia, são pescadores de trutas dedicados, mas sobretudo conservacionistas de primeira linha. Foi com agrado que verifiquei que nesta freguesia do nosso país, o património truteiro é considerado uma riqueza única em termos ambientais e com enormes potencialidades em termos de turismo.

As recentes iniciativas de alerta para uma pesca mais conscienciosa e para uma maior vigilância dos rios, começa a dar os seus frutos. A campanha preparada pelo Miguel no mês de Fevereiro está agora disponível ao público nas zonas de acesso ao rio e sobretudo perto das placas das zonas de pesca desportiva. A vigilância ao longo do rio é também uma constante, sendo praticada de forma activa, pelas populações locais, pelas autoridades, mas também pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia que é um excelente pescador de trutas. Adicionalmente, também nos foi comunicado que, nesta zona, ao contrário de outras, há um respeito enorme pela pesca ordenada, não se excedendo os limites de dias de pesca, nem o número de lotes vendidos. Claramente um exemplo a seguir.

Na última viagem que tivemos oportunidade de realizar a Campia, vimos águas mais limpas e boas populações de trutas indígenas, num entorno natural que nos pareceu muito bem preservado. Acreditamos que ainda há muito a fazer, pois identificamos alguns problemas críticos de gestão de caudais mínimos de barragens e de poluição provocada por pocilgas, no entanto, pensamos que a consciencialização e a vigilância são o caminho a seguir. Complementarmente, acreditamos que a pesca desenfreada e alicerçada em trutas de repovoamento (com cheiro a ração) não tem razão de ser em zonas únicas como estas. O património genético das trutas desta zona é único e deve ser preservado para as gerações futuras, tal como está.

Fica aqui este testemunho para quem quiser adoptar este tipo de atitudes noutras zonas do país. O futuro das trutas está claramente mais dependente da capacidade de iniciativa dos pescadores do que de qualquer autoridade central. Numa altura de crise, recai sobre nós esta responsabilidade …

Como última nota: o Miguel Pereira tem também o seu blog onde trata estas e outras questões … para quem estiver interessado em conhecer mais sobre a sua actividade, pode visitá-lo no Ninja Matrix

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.