Às trutas do Alto Cávado … 2011

Às trutas do Alto Cávado … 2011

Mais uma temporada e mais uma visita às Barragens do Gerês para ver as condições que nos esperam na abertura. Aproveitando a boleia, resolvi que não se iam desperdiçar tantos kilometros e como tal planeei logo uma pescaria para o Rio Cávado nas proximidades da Barragem de Paradela do Rio. Com o dia a ameaçar chuva, certamente que existiriam algumas trutas nas correntes que carregavam mais nutrientes. Simultaneamente, as pedras deveriam estar totalmente encharcadas e escorregadias, o que associado ao grande declive das margens, deveria afastar a maioria dos pescadores de trutas daquelas paragens … portanto valia a pena arriscar.

Depois de uma viagem sem novidades do Porto, e após algumas voltas mais turisticas, para tirar fotos e afins, resolvi parar o carro junto à ponte sobre o Rio Cávado nas proximidades da Barragem de Paradela do Rio. Iria realizar um troço de cerca de dois quilómetros para montante, tentando pescar nos poços e correntes com maior profundidade. Como a minha linha de pesca 0,12 estava podre e tinha que ser trocada, meti a bobina com o 0,18 e peguei na cana de 1,8 metros. Iria pescar com rapala CD-3 e Mepps nº 1 dourada com pintas vermelhas, seleccionando o isco em função das condições de cada troço de rio. Para começar, montei a Mepps.

Avancei logo para debaixo da ponte e comecei a ver as primeiras trutas a correr atrás da amostra … não tinham tamanho! Cheguei a um poço debaixo da ponte, realizo um lançamento para montante e quando a colher já vem a sair fora de água na ponta da corrente, entra uma truta diabólica … com uma tez negra esplêndida e uma força enorme ainda deu alguma luta, mas nada podia contra o 0,18 … Um belo exemplar de 19 cm! A jornada arrancava em pleno!

Entretanto, entrei a uma zona mais fechada do rio com margens ingremes e grandes blocos de pedra. Com alguma chuva e pedras escorregadias, a atenção virou-se 100% para onde metia os pés. O meu avanço tinha que ser medido passo a passo. Lentamente, fui caminhando e tentava só pescar nas zonas onde tinha poços com maior profundidade. Insisti um pouco mais na colher, mas nada … mesmo em poços bons. Comecei a questionar-me e meti o rapala CD-3. Durante meia hora, andei com o rapala a trabalhar correntes e poços e só via algumas trutas a segui-lo à distância, mas sem grande vontade.

Entretanto, cheguei a uma corrente mais lenta e espraiada onde desembocava um pequeno rego dos campos. Realizei 7 lançamentos e não vi nada a mexer! Parecia impossível. Bem … lá ia mais um … rapala cai na outra margem numa zona mais escura encostada a uma pedra (a menos de 2 metros da saída de água) dou dois toques de cana, sinto um esticão forte e vejo uma boa truta a dobrar-se toda … tinhamos jiboia! É que nem parou mais … foi sempre a enrolar e eu já começava a ver o fio a partir. Fui puxando-a com calma, tentando desenrolar o fio e evitando as zonas mais sujas. Lá a trouxe para perto de mim e quando já estava próxima da margem … um toque de cana e margem. Que belo exemplar do Cávado!! 25 cm de pura força e com umas cores fascinantes!!

Animado por esta boa captura, avancei para umas correntes mais a montante. Troquei o rapala pela Mepps, devido ao baixo caudal, e tirei 3 trutas sem medida em pouco menos de meia hora.

Entretanto, voltei a entrar numa zona de poços e mantive a colher. Cheguei a um poço com uma corrente profunda de cerca de 5 metros e com cerca de 30 metros de comprido. Ali tinha que haver trutas 🙂 Primeiro lançamento, nada. Segundo lançamento, cravadela e truta maluca a correr para mim e a tentar raspar-se contra as pedras, de modo a cortar o fio. Cravo-a fortemente e começo a puxar o fio ao máximo. Tive que a segurar e pô-la rápidamente a salvo. Uma jóia de 21 cm de cor negra. Ainda com força para mais, lancei para a cabeça da corrente, outra cravadela e mais uma corrida do mesmo estilo. De loucos!! Mais uma vez, tive que actuar de forma enérgica. Ah trutas do diabo … queriam era partir a linha!!! Esta com 20 cm, mas também com a manha da outra.

Com estas corridas de trutas que me puseram a adrenalina ao máximo, achei que já tinha tido a minha conta. Ainda avancei um pouco mais, mas cheguei a uma zona instransponivel. Era altura de voltar para o carro.

No global, o Alto Cávado continua bem e recomenda-se. Trutas bravas em regiões inóspitas que dão momentos de pesca inesqueciveis. Um paraíso para visitar de vez em quando.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.