Ao heavy spinning em Troporiz – Minho!

Ao heavy spinning em Troporiz – Minho!




Mais um fim de semana e mais um dia de pesca no horizonte. Dentre as várias opções que surgiam na cabeça para o segundo fim de semana de Maio, havia uma que predominava: voltar ao Rio Minho para tentar a minha sorte junto das trutas mariscas e salmões. Já lá tinha estado há pouco tempo, mas sem grande sucesso … no entanto, nestas coisas o que manda é o vicio e como a vontade de apanhar uma truta marisca ou um salmão era muito forte, toca a fazer caminho. Em pouco mais de uma hora já estava na zona de Valença e ainda ia a pensar aonde começar.

Com o céu relativamente encoberto, alguma possibilidade de chuva, e um vento forte, avancei directamente para montante de Monção à procura de alguns poços e correntes perto da foz do Rio Mouro. Peguei na cana de 2,1 metros, fio 0,18 da Asari e amostra Mepps Aglia nº3 de 18 gramas. O primeiro local de pesca foi num poço situado num cotovelo do rio Minho que surgia na sequência de uma forte corrente. O rio estava com alguma força e eu fiquei indeciso até que ponto a Barragem espanhola estaria ou não aberta. Deparei logo com outros dois pescadores também a bater o mesmo poço, mas pareciam estar a pescar ao isco natural com lançamentos bastante largos … talvez ao camarão ou à minhoca. Bem … resolvi insistir nesse poço … mudei de amostra e bati não só os locais perto da margem, mas também as zonas de corrente mais forte. Passada meia hora, nem um toque tive! O mesmo se passou do lado da concorrência que andava ao isco natural.

Perante este mau presságio, resolvi pescar para montante, tentando cobrir o melhor possível as correntes lentas e os poços com redemoinhos. Fui avançando de pesqueira em pesqueira. Vi alguns peixes, a mosquear … possivelmente alguns seriam trutas, mas nada manifestou interesse pela colher. Viam-se os normais cardumes de tainhas que abundam nesta zona, mas trutas nem vê-las.

Quando cheguei à segunda pesqueira, reparei que o nível do caudal estava um pouco acima do normal. Efectivamente, a barragem já deveria estar a funcionar desde há algum tempo. Tal como eu suspeitava, o nível não estava tão baixo como quando cheguei a Monção, da última vez que pesquei no Rio Minho. Ainda tentei forçar a pescaria durante mais 1 a 2 horas, mas comecei-me a convencer que era tempo perdido. Durante todo este tempo, fui trocando de colher, mas nem sinal de truta. Nem toque, nem movimento estranho … nada!!

Chegado às 12 horas, decidi que estava na altura de mudar de sitio. Com o nível de caudal em questão e com a maré em baixo, achei que valia a pena visitar a foz do Rio Gadanha. A ideia era fazer por ali alguns lançamentos e depois talvez pescar para montante a caminho de Troporiz.

Mal cheguei a este local, verifiquei que pegadas não faltavam. A concorrência já por lá tinha andado durante a manhã ou então no dia anterior. Mesmo assim não esmoreci! Avancei para a saída do Gadanha e tentei forçar os lançamentos para a margem espanhola, onde eu intuía que pudessem estar alguns bons exemplares sobre o leito de seixos, protegidos pela distância. Comecei com a Mepps Aglia nº3 de 18 gramas, mas nem toque …. a não ser de alguma alga ou pedra mais maldosa 🙂 Fui avançando ligeiramente para montante, sempre com a mesma estratégia … e comecei a ter dúvidas que a colher estivesse a ter melhor performance … pareceu-me que a Mepps Aglia nº3 podia estar a não rodar da melhor forma quando recuperada a favor da corrente. Nem era tarde, nem cedo … meti a Mepps Aglia Longcast dourada nº5 de 27 gramas. Lançamento cruzado para montante, começo a recuperar e logo sinto uma cravadela … tinha uma truta do outro lado e a cana dobrava … sobretudo com o peso da amostra e com a força da corrente … a luta não me parecia muita :). Lá fui controlando e nem sequer tirei o camaroeiro. Queria ver o que era … até me parecia truta pequena! Quando a consigo aproximar à minha margem, vi que era uma truta comum de cerca de 30 e poucos centímetros! Fiquei surpreendido, pois nem parecia pela luta que deu. Tentei encostá-la para a por a jeito de lhe deitar a mão … deu um safanão na amostra e libertou-se. Por estranho que pareça, nem me preocupou muito perder a truta. Fiquei a olhar para ela e deixei-a ir. Estava à procura de bicho maior!

Perante isto, avancei mais para montante a caminho da primeira pesqueira. Meti a Mepps Aglia Longcast nº4 e continuei a insistir nos lançamentos cruzados tentando forçar sempre a distância. Já encostado ao muro da pesqueira, lancei mais uma vez para montante e quando a colher entra na corrente mais forte, sinto uma forte pancada. Cana dobrada ao alto e luta forte. Pareceu-me que ali já tínhamos algo interessante. Mantive a tracção, corrigi o travão do carreto e comecei a dar alguma linha. O peixe foi lutando e eu notava as cabeçadas na cana … só não via nenhuma força sobrenatural, nem corridas tresloucadas. Comecei a duvidar que fosse truta marisca ou salmão. Mesmo assim, a força da corrente criava uma boa força sobre a linha e eu  queria ver o que tinha picado. Lá fui trabalhando o peixe e ele começou-se a chegar à margem. Saquei de camaroeiro e vejo uma truta agarrada à colher. Mais uma truta de 32 cm! Deu duas cabeçadas, mas foi rápidamente levada ao camaroeiro …  esta já não ia fugir. Era um belo exemplar das zonas de seixo do Minho! Com poucas e grandes pintas negras espalhadas pelo corpo.

Esta captura animou a pescaria e fez-me continuar a pescar para montante. Apesar da corrente estar um pouco forte, tive a impressão de que algumas boas trutas viviam ali perto da foz do Gadanha. Avancei então para perto da captação de água. Pesquei nos lugares mais interessantes nas redondezas, mas nem toque. Só mesmo num canto, onde um redemoinho se esbatia num conjunto de árvores caídas é que vi uma truta de mais de 20 cm a atacar a colher como um raio, mas a não cravar.

Com as 4h30 a baterem na Igreja da zona, achei que já não valia a pena mudar de sitio, por isso segui para montante. Pesquei na zona onde se encontravam alguns barcos e ainda mais para montante até uma pesqueira do lado de Espanha, mas nada mexeu. O caudal foi diminuindo a partir das 17 horas, mas parecia que as trutas e os salmões não estavam por ali. Isto apesar de o rio apresentar as condições ideais para permitir a sua presença.

Perto das 18 horas, achei que já estava nas últimas. Os últimos lançamentos ocorreram numa zona de corrente mais rápida e nem sinal de peixe. O dia tinha terminado. Só tinha mexido três trutas entre as 14 e as 15h30. Fiquei satisfeito pelo exercício físico e pela possibilidade de conhecer algumas zonas mais a montante de Troporiz. Foi um dia bem passado e ainda voltaremos ao Minho este ano para mais aventuras.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.