No Minho … perto da foz do Rio Gadanha

No Minho … perto da foz do Rio Gadanha




Depois de mais uma manhã de pesca improdutiva em finais de Julho, estava na altura de visitar o Rio Minho durante as horas mais tórridas do dia. As expectativas não eram muito grandes, tendo em conta o dia limpo, ambiente quente e vento forte de Norte, mas nunca se sabia. Com a Barragem espanhola aberta e alguma eclosão milagrosa, podia ser que se tivesse alguma sorte. Depois de ter ouvido um relato de uma excelente pescaria de trutas (com 10 exemplares com mais de kilo) realizada há duas semanas atrás nas mesmas condições, achei que valia a pena arriscar.

Sem hesitar muito, avancei directamente para a foz do Rio Gadanha. A entrada de água limpa no rio Minho e a existência de boas correntes e de uma zona de cotovelo de rio mais funda pareceram-se ideais para tentar a sorte. O cenário que encontrei não fugiu muito aquilo que tinha idealizado. O rio Minho corria com um caudal reduzido, a maré estava em baixo e as poucas trutas que por ali estivessem iam ver a amostra a passar-lhes perto. Portanto, só não mordiam se não quisessem.

Os primeiros lançamentos iriam sair na foz do Rio Gadanha. Para tal, equipei-me com material de heavy spinning: cana de 2,10 metros Silstar Powertip, linha 0,18 da Cormoura e Mepps Aglia Longcast nº3 de cor prateada. Foi só descer ao rio, caminhar um pouco pelas rochas e saiu o primeiro lançamento ligeiramente para jusante da corrente. Comecei a recuperar, a amostra sai de cima de uma grande pedra e levo o primeiro toque. Cravo com força e sinto a truta presa. Não me pareceu grande exemplar, pois foi sendo lentamente arrastada, mas não deixava de ser a primeira captura … e logo ao primeiro lançamento. Um excelente sinal e uma linda truta de 22 cm que foi rapidamente devolvida à água.

Animado por esta captura, resolvi dedicar as próximas 3 horas a pescar para montante fazendo o cotovelo até à central de captação de água. Os lançamentos foram-se sucedendo e fui tentando manobrar a amostra o melhor que podia para evitar que a mesma se prendesse no fundo, pois o caudal do rio era bastante baixo. Na seguinte meia hora de pesca, não tirei mais nenhuma truta, mas fui começando a ver alguns exemplares a mosquear em várias zonas do rio e tive a oportunidade de ter uma truta de cerca de 30 cm a olhar para mim e acompanhar-me durante 20 minutos na minha jornada de pesca. Era claramente um peixe curioso e que estava interessado em bater a minha margem com muito cuidado. Topou-me desde longe, mas nem por isso se preocupou com a minha presença, chegando mesmo a perseguir um pequeno alevim quase até aos meus pés. O peixito lá fugiu à ultima da hora com um salto rápido por cima de uma pequena pedra. Foram momentos de pura beleza!!

Enquanto ia acompanhando as peripécias desta truta, os lançamentos sucediam-se, mas sem resultados práticos. Lá cheguei ao muro da primeira pesqueira e aí comecei a ver uma maior densidade de trutas. Quase todas estavam na minha margem e andavam também para trás e para a frente à procura de alimento. O caudal levantou-se ligeiramente (possivelmente uma pequena abertura da comporta em Espanha) e senti mais dois toques. Eram duas trutas pequenas que não se conseguiram cravar, mas que acompanharam o isco até próximo dos meus pés. Havia então que forçar o andamento até à zona mais promissora do cotovelo, onde se encontravam várias árvores caídas.

Depois de uma breve deslocação, cheguei ao local e aproveitando a sombra do mesmo, resolvi trabalhar a minha margem. Os resultados não foram auspiciosos. Só mesmo ao centro do rio é que consegui ter duas capturas. Os lançamentos saiam, tinha que deixar afundar um pouco a amostra e depois, a meio da recuperação, levava uma boa pancada … mas sem muita luta à posteriori. O tamanho da amostra, a espessura da linha e a força da cana não permitiam que as trutas se esticassem muito! Isto mesmo quando se punham a favor da corrente. Enfim, apesar da jornada não estar a ser muito espectacular, estava a ser interessante e portanto decidi continuar até à zona de captação de água, onde terminava uma forte corrente com fundo de seixo.

Fui batendo a zona de forma milimétrica e tentando passar a amostra o mais próximo do fundo possível. Voltei a ter mais dois ou três toques, vi várias trutas atrás da amostra, mas não capturei mais nenhum exemplar.

Com o calor entre as 3 e as 4 horas a apertar, decidi que não valia a pena continuar e resolvi fazer-me à vida. As boas trutas do Minho não estavam ao ataque e a zona para onde eu me dirigia tinha muita corrente de pouca profundidade e não me apetecia mesmo nada coar água. Saí na zona de captação de água e tracei novo destino: a loja de pesca de Valença, onde iria ter pescaria garantida 🙂 E tive uma pescaria de material que me saiu cara!!

Acredito que continua a ser possível realizar grandes pescarias no Minho, mas certamente que as melhores horas não são as do meio dia. Certamente que o final da tarde, pode ser a altura mais promissora para quem quer continuar a insistir neste grande rio. Histórias de boas pescarias não hão-de faltar por lá, mesmo no final da época 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.