Trutas num buraco do Coura.

Trutas num buraco do Coura.

Já depois de uma primeira entrada na zona da Central de France, que produziu algumas emoções fortes, estava na altura de tentar a minha sorte às trutas de maior dimensão. Para isso, resolvi visitar um daqueles locais onde eu sei que se encontram bons exemplares e onde a dificuldade de pesca é bastante elevada. Trata-se de um poço com cerca de 5 metros de profundidade e com uma superfície bastante razoável, ocupando aproximadamente 30 metros de margem. Só a inclinação das margens (cerca de 5 metros de altura) e a excessiva presença de vegetação são obstáculos formidáveis à recuperação da linha, quanto mais ao combate e captura de eventuais trutas. É sempre um daqueles locais míticos onde a amostra tem que entrar … se for para a desgraça, então siga 🙂

Com a cana de 1,2 metros e olhando à vegetação, vi logo o assunto mal parado. Só podia lançar em dois sítios estratégicos. No primeiro, lancei 4 vezes, mas nada mexeu. Era uma zona de entrada no poço, onde não vi nenhum exemplar de truta. Avancei então para o segundo local, onde a vegetação estava ligeiramente mais controlada e onde eu podia baixar dois metros na margem. Mesmo assim, estava a 3 metros do rio e com muita vegetação à minha frente. Enfim, era isto ou nada!

O primeiro lançamento sai longo, a tocar a outra margem. O vento dificultou um pouco a queda da amostra, mas ela não caiu muito longe do local previsto. Deixei a amostra afundar durante alguns segundos e comecei a recuperar muito lentamente. Com a brisa a bater na água e com a amostra a trabalhar a alguma profundidade, não conseguia ver bem o que se estava a passar abaixo da superfície. A meio do percurso, consigo visualizar a amostra e vejo uma sombra negra a persegui-la por baixo e a crescer rapidamente … Era peixe e estava a subir para ver o que era. Não demorou muito … Mal chega perto da amostra, abre a boca e eu cravo logo de seguida. Era uma boa truta!!

A truta mal se sente cravada, tenta afundar e começa a levar algum fio do carreto. Tento fazer pressão para a puxar para uma zona mais limpa. Entretanto, ela muda de direcção e arranca com força no sentido oposto. Deixo-a a ir e mantenho a cana ao alto. A truta para a corrida, dá dois saltos fora de água e cospe a colher … Fiquei cego! Naquele lugar e com a força que a truta atacou, como é que era possível que ela se conseguisse desprender?? Parecia impossível.

Bem, lá puxei a amostra. Mudei o empate, pois estava ligeiramente danificado e voltei à carga. Outro lançamento para o mesmo local, recuperação lenta e outro toque quando a amostra estava a chegar já perto da minha margem. Também era truta e acima do tamanho mínimo. Voltei à carga … Nos quatro lançamentos seguintes, voltei a ter outros quatro toques … todos de trutas com tamanho razoável. Parecia impossível, mas aquele poço devia estar cheio de trutas, pois eu não acredito que as mesmas voltassem à carga depois de sentir o aço do anzol.

Enfim, com o padrão a repetir-se e eu sem capturar nenhuma, resolvi inflectir os meus lançamentos ligeiramente para a direita, à procura de um espaço livre por entre as árvores da outra margem. A amostra cai no local escolhido, deixo afundar, começo a recuperar lentamente e quando a amostra está a meio caminho, mais uma sombra a aparecer … boca virada à colher, abre, fecha e consigo cravar!! Mais um arranque, saltos para a esquerda e direita, mas desta vez nada de cuspidelas. A truta estava bem agarrada. Lá lhe dei a luta da ordem e preparei-a para ser levantada a peso com 0,12 por entre a vegetação da margem. Quando se cansou, comecei a erguê-la … ela debateu-se um pouco, eu parei … mas retomei rapidamente o serviço … tive que lhe dar um ou dois puxões para passar ao lado de algumas silvas … e a truta lá me chegou às mãos. O fio aguentou e eu tive o prazer de contemplar mais um lindo exemplar de 24 cm do Coura … daquele poço que tantas trutas produz … Um verdadeiro troféu atendendo às condições da sua captura.

Após esta captura, já fiquei satisfeito, mas mesmo assim voltei à carga. Fiz mais uns trinta lançamentos, tentando diferentes ângulos e zonas de recuperação. O impressionante é que nunca faltaram trutas a seguir à amostra em cada um dos lançamentos. Ainda voltei a ter dois toques ligeiros, mas não consegui realizar mais nenhuma captura. Mas as capturas já nem interessavam … só o facto de ter acção contínua e de ter deparado com uma invulgar concentração de trutas, eram mais do que motivos para estar em grande 🙂

Resumindo, foram 30 minutos de pesca excepcionais, numa zona que só se pode encontrar em grandes rios truteiros como o Coura. Só houve uma captura, mas a acção de pesca foi intensa, dando-me vontade de continuar com a faina e de ir mais para montante à procura de mais trutas … já na zona de Covas.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.