Minho na zona de Melgaço – Final de época.

Minho na zona de Melgaço – Final de época.


Dia 28 de Julho de 2011. Depois de um convite do nosso amigo João Dias (Trutas e Serras Blogspot) para celebrar o final da temporada geral da pesca às trutas no Restaurante Ponte do Neiva, resolvi adiantar-me à festa e marcar uma pescaria para um dos grandes rios do Minho. Depois de alguma saudável discussão, lá conseguimos acordar que a pescaria se iria realizar no Rio Minho, esperando que nesse dia a barragem pudesse ajudar à festa com um débito mínimo que permitisse alguns lançamentos nas correntes de seixo rolado.

Tal como combinado, cheguei ao Restaurante por volta das 8 horas e ainda aproveitei para por uma rapala a mexer no Rio Neiva. Só tive um toque de um escalo e não vi qualquer truta a seguir o peixe artificial. O baixo caudal do rio e grande quantidade de folhas em suspensão não ajudavam à pescaria e como tal rapidamente me juntei ao João para realizarmos a viagem até ao Rio Minho na zona de Melgaço, perto da ponte internacional. Conhecedores do rio naquela zona, sabíamos que íamos encontrar boas correntes, poços e alguns rápidos por entre zonas de pedra escarpada e seixo rolado. Claramente o cenário ideal para pescar grandes exemplares de trutas, trutas mariscas e salmões, isto, obviamente, desde que os mesmos estivessem por ali e apresentassem vontade de morder os nossos iscos.

Quando chegamos ao local, já lá estava um pescador à bóia e ao isco natural, mas parecia desanimado. Com calma, preparamos o nosso material e traçamos o plano. Peguei na cana 2,10 metros da Silstar, linha 0,22 da Berkley e amostra Mepps Aglia Longcast nº4. Eu iria pescar dois poços para jusante, onde existia uma boa profundidade e uma excelente entrada de corrente e depois iria-me juntar ao João para pescar o troço de cerca de 1 km para montante. Felizmente, a Barragem Espanhola estava a debitar alguma água e isto permitia que as correntes fossem as ideais para tentar alguma boa truta nas entradas dos poços.

Enfim, começamos a pescar. Os lançamentos foram-se sucedendo, sobretudo virados a montante, mas sem grandes resultados. Passado meia hora, ainda vi uma ou duas trutas com mais de 20 cm a seguir a colher, num cotovelo de um poço, mas nada mais. Comecei a desanimar e inverti a marcha para montante, de modo a juntar-me ao João. Pelo caminho, ainda vi dois visons que andavam a brincar pelas pedras. Pareciam crias e tive pena de não conseguir tirar umas fotos.

Lá me juntei ao nosso amigo João, que desta vez também estava a pescar à amostra, pois o forte vento de Leste não permitia grandes pescarias à mosca, e deparamos com mais um problema. Uma série de kayaks começaram a descer o rio. Era possivelmente dois grupos de espanhóis que se juntaram para se divertir e espantar as nossas trutitas.

Com a passagem das canoas, o espírito de pesca esmoreceu, mas continuamos. Havia que ganhar apetite para o almoço que estava prometido num dos assadores da zona de Merufe. Passamos as duas horas seguintes a bater alguns locais verdadeiramente maravilhosos para capturar umas trutas. Num destes locais, foto abaixo, ainda vimos várias trutas de pequeno tamanho a seguir a amostra e levei um bom toque num lançamento de cerca de 40 metros. Parecia impossível que ali não saísse uma truta 🙂

Depois de insistirmos cerca de meia hora naquele local, ainda pescamos durante mais uma hora para montante, até chegar a uma entrada de uma linha de água na margem esquerda do Minho. Os lançamentos foram-se sucedendo, trocamos de amostra, mas mesmo assim sem resultados. Com o sol a aquecer e as primeiras pegadas frescas a surgirem na margem, achamos que já não valia a pena continuar. Como é hábito, o rio Minho é um rio de humores e tanto pode dar grandes pescarias como grandes desaires. Hoje tinha-nos calhado um dia de desaires. E não valia pena insistir 🙂

Assim, e rapidamente vencidos pela falta de trutas. Avançamos para o almoço na zona de Merufe, com uma excelente carne assada. Depois ainda fizemos uma pequena perninha no Rio Mouro sem grandes resultados. Ainda vi algumas trutas, mas o adiantado da época e a excessiva pressão de pesca do local não permitiu qualquer captura.

No final, avançamos para o clímax do dia que era o grande jantar de final de temporada de pesca às trutas no Restaurante Ponte do Neiva. Mais de 40 pessoas apareceram nesta excelente celebração onde o Leitão foi rei e senhor e onde não faltaram concertinas e cantares ao desafio até altas horas da manhã. Pescadores de trutas e grandes histórias de pescarias também não faltaram. Só por grandes momentos como estes, onde se celebram a amizade e o companheirismo, vale a pena ser pescador de trutas. Um grande abraço e um bem haja ao nosso amigo João Dias pelo convite e pelos excelentes momentos passados. No próximo ano lá estaremos outra vez, para manter a tradição 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.