Dia 1 de Março – Abertura no Rio Coura

Dia 1 de Março – Abertura no Rio Coura




Finalmente! O despertador tocou às 4h30 da manhã do dia 1 de Março! Estava na altura de arrancar para o rio de eleição para a abertura. À semelhança das últimas duas épocas, iria abrir as hostilidades no famoso rio Coura. Ainda pensei em atacar o Mouro, mas o imenso frio que se sentia e a inexistência de chuva forte colocavam-me enormes dúvidas sobre a possibilidade de conseguir mexer algum peixe de jeito, nomeadamente alguma truta marisca ou salmão. Assim, e depois de uma conversa esclarecedora com o amigo João Dias, tomei a decisão de abrir no Coura.

Era para ter arrancado para o rio na companhia do Prof. Arlindo Cunha e do Engº Zé Pintalhão (companheiros de aventuras que não costumam faltar nas aberturas), mas questões de logística de última hora condicionaram a presença destes amigos. De qualquer forma, o amigo Arlindo iria-se juntar a mim da parte da tarde, algures em Ponte da Barca, para matar o vicio.

Cheguei ao local do crime por volta das 6h30 – Covas City. Preparei o material, dei uma vista de olhos ao rio, e verifiquei que o caudal estava a ser condicionado pelo trabalhar das barragens de Covas. O caudal apresentava-se alto, sustentado e com força média a elevada, nalguns pontos concretos. A temperatura do ar era de dois graus negativos e a da água também estava bastante fria. As margens estavam limpas, consequências de eventuais cheias das últimas semanas. No global, estava um bom cenário para pescar ao spinning com amostras de tamanho médio. Sem hesitar, peguei na cana de 1,8 metros, fio 0,18 da Fendreel e meti um X-Rap de 6 cm RT na ponta da linha. Mais uma vez, o X-Rap ia ser a minha arma de eleição para a abertura, até porque me interessava mexer os maiores exemplares que por ali andassem.

Condições de pesca no Rio Coura - abertura 2013

Os primeiros lançamentos foram realizados ao raiar do dia. Como estava um pouco enferrujado não saíram muito bem, e isto forçou-me a lançar várias vezes no mesmo sitio nos primeiros 15 minutos. Pesquei um pouco para montante e depois voltei para jusante. Na primeira meia hora, não vi qualquer truta e já no final desse período passa por mim um pescador jovem a correr com uma vibrax (que penso ser nº3) para montante. Também me disse que nada tirou. A julgar pelo frio, poucas eram as trutas que iriam estar activas. Enfim, ainda pensei que para jusante já estava tudo “assombrado”, mas a julgar pelo speed do artista, tive logo a impressão que muita coisa tinha ficado por bater!!

Entrei então numa zona com forte cobertura vegetal, com muitas árvores sobre o rio, e onde o rio faz um S. A corrente era significativamente mais lenta e não faltavam uns bons poços. Comecei a lançar para montante. As recuperações foram realizadas a bom ritmo, permitindo algumas paragens no isco, porque sabia que as trutas não estavam muito activas. Quando chego a uma zona mais aberta, realizo um lançamento na perpendicular para a outra margem, a amostra cai, começo a recuperar e a meio caminho noto uma força estranha a levar-me a linha para jusante. Cravo e levanto a ponteira da cana, e o carreto começa a chiar!! Já tínhamos festa!!

A força que senti na ponta da linha foi enorme e eu comecei a pensar que ia ter bicho grande. Afrouxei o carreto e deixei levar linha dentro do possível. Também não me podia esticar muito ou o peixe iria meter-se no meio do ramos. Lá fui trabalhando com calma e já a meio do rio, vejo uma boa truta a dar duas corridas para montante. Não era muito grande, mas estava a dar uma luta excepcional … Não consegui perceber logo porquê!!

A truta começou a perder um pouco de força e eu tentei sacar de camaroeiro. Ela estava para jusante e eu não a consegui-a ver muito bem. Depois de 1 minuto a tentar sacar o camaroeiro, lá o consegui por à mão e dediquei então toda a atenção à truta. Com calma, trouxe-a mais para perto de mim e a resistência continuava a ser enorme. Finalmente, percebi porquê!! A truta tinha sido cravada nas costas com os dois triplos do X-Rap e estava a usar o flanco a contra corrente para aumentar a resistência na luta. Impressionante!! Já sem muito mais folego e com a truta cansada, consegui meter o camaroeiro a jeito e tirei-a de uma só vez! Estava cumprida a tradição da abertura no Coura com uma linda truta de 32 centímetros!! Um excelente exemplar (foto de capa do post)!!

Com esta captura, a motivação foi logo outra e o frio até parece que desapareceu. Avancei logo com afinco renovado para bater o troço para jusante. Ataquei mais uma corrente lenta com alguma profundidade e já no final dessa corrente próximo da entrada de um ribeiro, tive outra surpresa. Nesee local, existiam dois troncos grossos de árvore que emergiam do fundo do rio, próximo da minha margem, e a profundidade era no mínimo de 3 a 4 metros. Lancei duas vezes para montante e nada mexeu. Lancei uma vez para jusante e vi um pequeno peixe atrás da amostra. Lancei na perpendicular para a outra margem, e comecei a recuperar mais lento, quando a amostra estava a chegar aos troncos, afrouxo a recuperação, e finalmente paro a amostra quando chega aos meus pés, perto de um dos troncos. Preparo-me para tirar a amostra da água quando uma truta endiabrada arranca debaixo do tronco, agarra a amostra com a boca e eu só tenho tempo de a cravar e da pendurar logo fora de água. Nem deu tempo para mais nada e foi logo directa para a margem. Mais uma linda truta de 26 centímetros.

Truta de 26 cm - abertura 2013 Rio Coura

Com esta segunda captura, considerei que o dia já estava a correr bem. Mesmo assim, ainda fui para jusante à procura de mais exemplares. Mais uma corrente e mais um poço. Foi tudo batido ao milímetro, mas nada mexeu. Já no final do troço, encontrei um pescador que estava a pescar ao fundo à minhoca e que me disse que tinha perdido uma boa truta de 40 centímetros, porque o fio partiu. Enfim, o dia começou a aquecer a sério e, apesar de várias insistências, as trutas não mexiam. Mudei de isco, mudei de local, mas até ao meio dia nem mais um toque. Mesmo em zonas virgens (onde não tinha passado nenhum pescador), não se via nem uma truta. Fiquei perplexo. O frio poderia ser uma explicação, mas não acredito que explicasse tudo. Talvez a densidade de trutas esteja em declinio nalgumas zonas do Coura. É algo que terei que ver em próximas visitas, já que no ano passado, nalguns destes locais, não faltavam trutas.

Mesmo com esta aparente falta ou inactividade das trutas, a manhã de abertura correu bem, sobretudo pela qualidade de lançamentos que fui conseguindo ao longo do tempo e pelo facto de não ter perdido nenhuma amostra. Voltar a estar nas margens do rio atrás das trutas é por si só um prazer e ainda mais se se conseguir tirar um bom exemplar.

Com a tarde destinada para ir acompanhar o amigo Arlindo, tive que abandonar o Coura, mas não fiquei satisfeito e prometi voltar. Algo que não tardou muito, pois no dia 2 voltei à carga e já com outros andamentos, mas isso fica para outro post 🙂

Comentários Facebook - Trutas.PT
Related Posts with Thumbnails


Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.