Nos poços do Alfusqueiro

Nos poços do Alfusqueiro


Depois de um início de jornada num dos locais secretos do Alfusqueiro, resolvemos fazer uma visita rápida a uma zona que é conhecida pelos grandes poços e bons exemplares. É também um daqueles locais predilectos do nosso amigo Jesus e como tal a sua divulgação não é permitida.

A ideia geral da rápida pescaria naquele local era focalizarmos a nossa atenção em três ou quatro poços que pelas suas características costumam albergar trutas de bom tamanho. Não nos podíamos esticar muito, porque o almoço já estava marcado para as 13h30 e um atraso poderia significar apanhar o cabrito ou a vitela um pouco mais frias … E nós não queríamos isso 🙂 🙂

Depois de uma viagem de carro por um caminho de terra batida, lá chegamos ao local. Fiquei logo bem impressionado pelo caudal do rio e sobretudo pela combinação de poços de bom tamanho com correntes, algumas com boa profundidade. Sem perder muito tempo, conclui logo que aquilo era zona de grandes trutas!!

Apesar deste veredicto, resolvi equipar-me com o material de light spinning que já vinha da sessão anterior. Como o rio estava com água limpa e o céu estava claro, as amostras mais pequenas e linhas mais finas poderiam fazer a diferença junto das trutas mais desconfiadas. Claro que teria dificuldades para tirar um bom exemplar da água, mas para tirá-lo era preciso primeiro pô-lo a morder.

Arrancamos logo numa zona com um grande poço e uma corrente profunda sustentada. Viram-se os primeiros cardumes de escalos em formação e as amostras começaram a procurar a margem oposta. Nada mexeu! Parecia que não havia peixe por ali. Fizemos os primeiros 500 metros sem ver sinal de trutas e finalmente, numa corrente forte e num lançamento para jusante, vejo a primeira truta de 24 centímetros a sair debaixo dos meus pés e a beliscar a amostra com cuidado. Sentiu o aço e deu meia volta. Ainda lancei mais duas vezes para o mesmo local, mas foi tempo perdido. Pelo menos já havia trutas!!

Depois deste episódio, batemos mais 200 metros de correntes e resolvemos avançar caminho para outro poço de tamanho considerável. Na corrente antes de chegar ao poço, o Miguel faz um lançamento numa zona descoberta e tira a primeira truta. Era um pequeno exemplar de cerca de 16 centímetros que ele rapidamente devolveu à água. Depois desta captura, concentramos a nossa atenção na cabeça de um poço, famoso por albergar trutas de kilo, mas nem sinal de peixe vimos.

Frustrados pela falta de trutas, fomos avançando para montante. Numa zona mais calma e por entre duas árvores, realizo um lançamento longo. Começo a recuperar e quando a amostra vem a chegar a uma lenha junto da minha margem, preparo-me para a levantar quando sai uma truta debaixo da lenha e abocanha a amostra. Levanto a ponta da cana, cravo-a e arranco para a frente para a trabalhar. Ela ainda se tentou meter debaixo da lenha, mas segurei-a com força. Deixei-a lutar um pouco e quando estava mais calma, deitei-lhe a mão. Tinha capturado mais um lindo exemplar do Rio Alfusqueiro. Uma linda truta de 24 centímetros, que estava escondida debaixo dos meus pés.

Truta 24 cm Rio Alfusqueiro Abril de 2013

Animado por esta captura, preparei-me para realizar a última meia hora de faina, pois já nos estávamos a esticar. Iríamos fazer o último troço até ao próximo poço, onde existiam algumas correntes. O Miguel entrou pela corrente e apanhou logo uma truta e eu fui directo ao muro no início do poço. Ali lancei para jusante, numa pequena queda de água e apanhei uma truta de 19 centímetros. Depois lancei largo para montante e apanhei uma truta de 16 centímetros. Foram dois lançamentos mágicos.

O poço prometia e cheguei a ver pelo menos 5 trutas só na sua parte final. Ainda batemos 100 metros, mas tivemos que inverter a marcha. A hora do almoço estava a chegar e não podíamos facilitar. No entanto, o vício não acabou por aí. Quando íamos a chegar ao carro, resolvemos só bater uma corrente profunda que eu tinha visto. Pareceu-me lugar para um bom exemplar, mas de difícil acesso. Lá fiz os lançamento da praxe, sem resultado, e quando estava a preparar para mudar de poiso, o Miguel fez-me sinal. Tinha visto uma truta de kilo a seguir a amostra e ela não se tinha picado. Ainda lá fui ver o que se passava, lancei, mas não vi nada. Deixei-o ficar, porque a truta era dele e passado dois minutos, ouço um grito: “Cravei a truta” … e passado quatro segundos: “Fugiu”. Enfim, a coisa correu-lhe mal!!

A truta depois de tanto ver a amostra, lá lhe deu uma bicada, mas sem se cravar a sério. Segundo o Miguel, tinha mais de 40 centímetros e era bicho perto do kilo. Devia ser um bom exemplar. Ele ainda ficou por lá mais um pouco a ver se a truta voltava ao assunto, mas depois de se sentir cravada, as hipóteses eram quase nulas. Com o tempo a urgir, tivemos que regressar à base.

O dia de pesca tinha sido uma beleza e não faltaram emoções para todos os gostos, desde recantos secretos até trutas grandes. Não faltou nada para um pescador de trutas se sentir feliz. O Alfusqueiro é um grande rio para quem o conhece verdadeiramente e o respeita!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.