Manhã de abertura no Rio Mouro – 2014

Manhã de abertura no Rio Mouro – 2014




Tinha chegado o dia 1 de Março. Depois de várias combinações e vários cenários, eu e o Torres tínhamos acertado que iríamos abrir hostilidades no Mouro ou no Coura. Tudo iria depender do tempo que encontrássemos durante o caminho, depois de nos reunirmos no Restaurante Ponte do Neiva. Ele não acreditava que chovesse no Sábado, mas eu tinha quase certeza de que íamos ter chuva.

O material de pesca já estava mais do que comprado e eu aproveitei o dia 28 de Fevereiro para fazer os últimos preparativos. Só deixei ficar o fio 0,18 do ano passado no carreto, porque achei que ainda tinha bastante fio (quase 100 metros) e que era uma desperdício deitá-lo fora (foi um erro de principiante que eu iria pagar bem!) Mesmo assim, e para juntar à festa, ainda me consegui esquecer de comprar a licença de pesca e só me lembrei quando acordei no dia da abertura. Ainda pensei que não valia a pena comprar qualquer licença, porque não haveria qualquer fiscalização, mas de qualquer maneira, e para evitar chatices, às 4h30 da manhã estava junto do multibanco a tratar desse assunto.

Mal me encontrei com o Torres, a decisão ficou logo acertada. Iríamos atacar o Mouro na zona próxima da Ponte do Curto. Não íamos ser os únicos e portanto convinha que fossemos os primeiros. Fomos todo o caminho debaixo de chuva e quando chegamos ao Mouro também chovia. Ainda ficamos 10 minutos no carro à espera que amanhecesse e fomos delineando a estratégia. Com os primeiros sinais de luz, começamo-nos a preparar e avançamos para o rio. Eu com um rapala X-Rap RT de 6 cm e o Torres com uma colher Tanger.

O Mouro estava com águas limpas e um caudal normal para a época do ano. Claro sintoma de que a chuva que estava a cair ainda não tinha tido efeito e portanto as condições de pesca não iam ser tão auspiciosas como nós antecipávamos. De qualquer forma, achamos que mesmo assim poderíamos ter sorte. Os primeiros lançamentos saíram em zonas de corrente lenta e começamos a comprovar o bom funcionamento das amostras. Com a luz ainda a ser pouca, o rapala não era muito visível dentro de água e eu resolvi mudar para uma colher clara. O Torres resolveu intervir e ofereceu-me uma Tanger nº 3 prateada. Pareceu-me bom isco e resolvi testar.

Os testes da Tanger revelaram-se promissores, pois gostei imenso da evolução da amostra, tanto a favor como a contra corrente. Com um peso razoável permitia lançamentos generosos e trabalhava a uma profundidade óptima para as condições do Mouro. Tinha que dar uma truta!! E assim foi, numa zona à entrada de uma corrente mais rápida, realizo um lançamento para a outra margem, a amostra cai mesmo encostada à margem, começo a recuperar, vejo uma boa sombra a seguir à amostra e tenho contacto. Do outro lado, vejo uma boa truta a torcer-se. Chamo pelo Torres e preparo-me para o combate. Com calma, segurei a truta no centro do rio, apesar das cabeçadas sucessivas e fui encaminhando-a para a margem. Ainda demorou algum tempo até se por a jeito, mas fiz-lhe a vontade, até porque os anzóis estavam bem cravados e não tinha camaroeiro. Depois de a cansar, lá a tirei da água. Um lindo exemplar do Mouro com 34 centímetros. Uma óptima truta de abertura com umas cores espectaculares.

Truta 34 cm Rio Mouro 1 de Março 2014

Depois da primeira captura, animei e preparei-me para fazer uma sequência de duas correntes que eu sei que são altamente produtivas. Perdi logo a Tanger que o Torres me deu no início, porque a linha podre rebentou no lançamento sem tocar em nada, e voltei ao rapala. Foi uma meia hora inglória para mim e para o Torres. Em zonas excepcionais, não se viu uma truta. Parecia que o Mouro era um autêntico deserto e várias vezes comentamos que algo estava muito mal para estarmos perante aquele cenário. Aquelas correntes eram locais de primeira categoria para o salmão e a truta marisca, e portanto, a não presença de trutas era um claro indicador de que a furtivagem tinha andado por ali a limpar tudo.

Terminada essa sequência de correntes, resolvi meter uma colher Vibrax FT para as zonas que se seguiam. Talvez a sorte mudasse e elas ficassem iludidas pela cor berrante.

Com isto chegamos a uma zona de forte corrente com fundo de cascalho, onde após 4 lançamentos surgiu um “bixo” que deu que falar, mas cuja história fica para outro post. Resumindo, fiquei sem colher e tive que mudar para outra 🙂 🙂 Claro que a linha podre da época passada também ajudou à festa … Valha-nos o telemóvel do Torres que ajudou a gravar o momento para não passarmos por aldrabões!!

Deste ponto até ao café da Ponte do Curto, foi mais do mesmo; coar água, sem ver qualquer sinais de peixe. Junto ao café encontramos vários pescadores em constante azafama, mas todos com um ar desanimado. Eu e o Torres batemos o local de forma intensiva e procurando o milagre. Finalmente, e já na ponta final, consigo tirar uma truta de 28 centímetros num lançamento para montante numa zona de água bastante forte. A truta cravou mesmo no final do açude, à entrada na queda de água. Isto numa zona onde já tinham passado mais de 10 pescadores 🙂 Nem lhe dei tempo, levantei logo no ar e coloquei-a em terra, tendo-se desprendido imediatamente. Foi mesmo na altura certa!!

Truta 28 cm Rio Mouro - abertura 2014

Enfim, a primeira parte da festa estava feita. Tinha tirado duas trutas e o Torres tinha vindo a atender telefonemas de vários pescadores que andavam a controlá-lo 🙂 🙂 No café da Ponte do Curto ainda conversamos com a proprietária que nos informou que em Outubro tinha avistado um bom cardume de salmões durante mais de um mês. Andavam por ali na desova e eram uns peixes impressionantes que atraíam a atenção de muitas pessoas que os vinham ver. Também nos disse que mal fechava o café, à meia noite, sentia logo carros e furtivos a aproximarem-se para fazerem o ataque aos pobres bichos. A sacanagem do costume de que toda a gente fala e para a qual as autoridades viram as costas! Ainda estou à espera de ser fiscalizado no dia da abertura! Deve ter sido da chuva!! Parece que molha … Até disse ao Torres: “Nem sei para que é que tirei a licença!!”. Apenas tirei a licença para vir ao Mouro ver a limpeza que fazem os que não têm licença, nem nunca vão precisar dela!!

Depois deste tónico de desilusão, resolvemos bater a caminho do carro pela outra margem para terminar a manhã. O Torres finalmente largou o telemóvel e conseguiu pescar duas trutas de cerca de 28-30 cm com uma das suas colheres milagrosas. Mais tarde, ainda encontramos o Victor e o amigo, e fomos em amena cavaqueira para o carro a contar histórias de pesca e a planear a abertura das barragens do dia 1 de Abril. Eles tinham também tirado duas trutas cada um numa zona que nem chegamos a pescar … pois fomos directos às correntes.

Basicamente, a abertura no Mouro estava feita. Depois de um almoço rápido no Parque de Merendas de Merufe, voltamos ao ataque no Mouro da parte da tarde, mas sem resultados. A chuva engrossou de tal ordem que as correntes tornaram-se violentas e não permitiam uma pesca ao spinning com o mínimo de eficácia. Tivemos que nos retirar! As condições estavam demasiado austeras e portanto tínhamos que ir acabar o dia a outro local!

Tinha-se cumprido a tradição!! Apesar de não termos tirado muitas trutas, nem grandes exemplares, esta foi uma abertura histórica para mim e para o Torres e de que muito se vai falar nos próximos anos. Esperamos é poder repetir esta aventura com mais e melhores condições no Rio Mouro. O que andam a fazer a este rio é um autêntico crime e próprio de um país sub-desenvolvido onde só falta pescar com granadas! Temos que ter outra forma de organizar a gestão e fiscalização da pesca … Este modelo não tem futuro e precisamos de guarda-rios profissionais como do pão para a boca!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.