6 trutas a caminho da Central de France …

6 trutas a caminho da Central de France …


Mais uma manhã de pesca que se inicia no Rio Coura. A ideia era avançar directamente para Covas, mas como antes tenho que passar por Vilar de Mouros, consigo ver sempre quais são as condições do rio para montante. As condições no dia em causa estavam óptimas. A Central de France devia estar a debitar de forma moderada, pois a corrente observada não era muito significativa.

Com este cenário na minha cabeça, achei logo que valia a pena bater o troço para jusante da central. Como já tinha pescado tantas vezes neste local, já sabia mais ou menos a postura das trutas e quais as condições que as fazem morder.

Cheguei ao local eram 7h30. Equipei-me e meti o 0,12 na cana de 1,8 metros. Iria pescar com Mepps Aglia nº1.

Mal entrei no local, reparei que haviam mais pegadas desde a última vez que lá tinha estado. Pelo aspecto, deveriam ter 3 ou 4 dias. Nada para me preocupar muito. Logo na saída da conduta saíram os primeiros lançamentos para abrir hostilidades. Vi uma pequena truta a seguir a amostra, mas nada de jeito. Não fiquei muito animado e resolvi logo lançar para a zona à minha direita onde está um poço profundo. Lançamento largo, deixo afundar, começo a recuperar e quando a amostra vem a meio, junto ao fundo, sinto um toque. Cravo instintivamente e sinto a truta presa do outro lado. Lá a seguro e começo a puxá-la para cima, evitando que se meta na lenha seca dentro de água. Ela ainda se debateu, mas já com falta de força, foi encostada à margem e deitei-lhe a mão. Uma linda truta de 24 centímetros.

Truta 24 cm Rio Coura Março 2014

Depois desta captura, voltei a insistir no mesmo local. Lançamento largo, deixo afundar e quando começo a recuperar vejo um vulto com tamanho considerável a seguir a colher, mas a uma distância de segurança. A colher sai fora de água e a truta segue para a minha lateral, sempre colada ao fundo. Lanço 20 metros à frente para onde a truta se dirige e deixo a amostra afundar bem. Quando sinto que ela está perto do fundo, começo a recuperar. Mal começo a recuperar, sinto uma forte cravadela e levanto a ponta da cana. Era bom bicho!!

A truta arranca com força para o centro do poço e leva-me algum fio. Começo a controlá-la com algum cuidado para evitar que o 0,12 parta. Ela depois de se sentir bem presa, começa a enrolar-se e arranca para a lenha da margem. Aí tenho que a segurar com força e a linha aguenta-se bem. Sentindo-se já cansada, a truta afrouxa as corridas e começo a trazê-la para mim. Já sem muito alento e depois de 5 passagens, deito-lhe a mão e tiro-a fora de água. Um lindo exemplar de 31 centímetros. Uma linda truta com um aspecto impressionante.

Truta 31 cm Rio Coura Março 2014

Depois desta boa captura, resolvi realizar o troço a jusante da conduta. Caminhei cerca de 900 metros para jusante da conduta e resolvi começar a pescar para montante na margem esquerda. Logo ao primeiro lançamento, senti um toque. Sinal de que as trutas estavam activas e bem activas. Em 900 metros de rio, tive quase 10 toques e tirei 4 trutas, com duas delas a apresentarem tamanhos superiores a 21 centímetros.

Deu-me especial gozo, a captura de um exemplar com um lançamento de cerca de 40 metros, a 5 metros de altura e com um aglomerado de silvas por baixo de mim. Com um lançamento tão longo, uma pequena truta entra no meio da corrente e crava-se. Com a altura e vegetação, apenas consegui dar-lhe um puxão forte para a levantar no ar e ela acaba por cair no meio das silvas, desprendendo-se da amostra. Ou seja, a amostra veio para as minhas mãos e a truta ficou no meio das silvas. Tive que descer com algum custo e restituí-la rapidamente ao seu ambiente natural. Não ia ficar ali.

Enfim, no final fiquei satisfeito por verificar que as trutas continuam a proliferar neste troço, apesar da poluição que as minas de Covas continuam a debitar. Ano após ano a água fresca da Central de France tem permitido manter este oásis para jusante de Covas, caso contrário teríamos um deserto igual ao que se verifica para montante da Central. Um autêntico crime ambiental que destrói um troço de vários quilómetros de primeira categoria do Rio Coura e onde o Estado tem as suas devidas responsabilidades na falta de resolução e negligência neste assunto.

As poças de água amarela continuam a dar um espectáculo triste no leito do Rio Coura, antes de chegar a Covas. Ano atrás de ano o mesmo cenário. Ainda lá estavam há duas semanas, como lá estavam no ano passado e no ano anterior. Uma vergonha!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.