À procura das trutas do Vouga …

À procura das trutas do Vouga …




Depois de uma manhã pouco animadora no rio Távora, que me deixou bastante frustrado, resolvi seguir na direcção de Aguiar da Beira, a caminho do Sátão. O meu destino era o alto Vouga, algures a caminho da Queiriga. Já por lá tinha andado há alguns anos e realizei boas capturas, especialmente em dias de chuva.  Portanto, resolvi voltar para matar saudades.

Depois de uma viagem de meia hora, cheguei à ponte sobre o Vouga por volta das 13h30 (foto capa). O rio apresentava um caudal razoável e águas limpidas. O sol estava forte e de vez em quando surgia uma ou outra nuvem que reduzia a luminosidade. Com estas condições não antevia grandes pescarias. Aliás, naquele preciso momento, nem isso tão pouco me interessava. Depois da decepção do Távora, o que eu queria era ver algumas trutas. Portanto, mal cheguei comi uma sanduiche, peguei na cana mais pequena (1 metro) e fiz-me ao rio. A ideia era bater o rio em duas etapas. Primeiro, para montante, desde a ponte até às primeiras correntes mais fortes e menos profundas. Segundo, para jusante, novamente desde a ponte até a um grande açude que ficava a cerca de 2 km.

Entrei então ao rio numa zona de corrente lenta e com profundidade média de 1 a 2 metros. A distância entre margens andava na ordem dos 30 a 40 metros e não faltavam árvores a bordejar a água. Neste cenário, as trutas deviam estar encostadas às margens, talvez metidas por entre as raízes de plátanos e salgueiros. Os primeiros lançamentos foram realizados ligeiramente para montante e quase a rasar a margem oposta. Isto permitia que a colher afundasse o suficiente e realizasse um percurso em U dentro de água. A água extremamente límpida não estava ajudar, mesmo com 0,12. Para complicar ainda mais, haviam muitas sementes do tipo dente de leão a cair dentro de água que depois se emaranhavam no fio e vinham a arrastar dentro de água denunciando a nossa presença. Enfim, lá fui caminhando lentamente para montante e numa zona mais arvorizada tenho o primeiro sinal de truta. Depois de um lançamento por entre os ramos de uma árvore, vejo uma truta a sair debaixo da margem onde me encontrava e a atacar a colher quando ela se preparava para sair fora de água. Não cravou 🙂

Animado por este sinal positivo, mantive o meu curso de pesca para montante até chegar à primeira corrente mais forte. Aí vi uma pequena truta a mosquear, mas nem me deu hipótese. Mal me viu, arrancou imediatamente para jusante. A pouca profundidade não me ajudava a esconder do olhar das trutas. Ia ter que passar à segunda etapa da pescaria e portanto voltei à ponte.

Imediatamente a jusante da ponte, fica um grande açude com profundidades médias de 2 a 3 metros que é conhecido por albergar bons troféus. Já escutei várias histórias dos pescadores locais relativamente a trutas de 2 e 3 Kg naquela área. Consciente disso, resolvi mudar de fio para o 0,18 e meter um rapala floating 7. Armado com este material, bati o açude milimétricamente até ao muro. Nem um toque, nem um reflexo dentro de água! Não estavam ao centro do rio ou então estavam sem vontade!

Com o final do açude e o regresso das correntes, tive que voltar a trocar para o material de light spinning. O primeiro local onde entrei foi mesmo na corrente à saída do açude (ver foto abaixo). Consegui furar por entre um buraco junto ao moinho de água e posicionei-me para lançar para montante e recuperar a colher a favor da corrente. O lançamento saiu-me bem e caiu mesmo na queda de água. Mal começo a recuperar, entra uma linda truta que começa a saltar fora de água. Não era um grande exemplar, mas era uma linda truta do Vouga. Com calma, consegui trazê-la à mão e depois de uma boa foto, devolvi-a à água. Fiquei claramente satisfeito de ter tido o prazer de ver umas destas belezas escuras de pintas vermelhas e negras. São exemplares únicos que só se podem encontrar no Vouga.

Animado pela captura, prossegui para jusante, cobrindo o rio com maior intensidade. Esta é uma área caracterizada sobretudo por correntes e convém ser batida com alguma calma. O problema eram as margens, pois neste troço, as vertentes de granito inclinadas começam a impôr respeito e é necessário ter cuidado com os locais onde se põe os pés. Os lançamentos foram-se sucedendo, alguns de alturas superiores a 5 metros, mas nada mexia.

Depois de cerca de uma hora, cheguei a uma grande queda de água que desemboca num grande açude, junto a uma casa de habitação. Já lá estava um pescador ao isco natural e não parecia muito satisfeito. Por isso, resolvi avançar directamente para umas pequenas linhas de água que vinham dos campos e desembocavam no açude. Realizei alguns lançamentos nessa área e só tive um toque duma pequena truta. As grandes estavam escondidas!

Já sem grande motivação, ainda resolvi entrar na longa corrente abaixo do açude. Pesquei cerca de 300 metros e vi 4 ou 5 pequenas trutas atrás da colher, mas nenhuma cravou. Fiquei convencido de que não iria ter muita sorte. O dia estava muito claro e as trutas grandes estavam escondidas. Tinha que dar por terminada a minha jornada. O que mais me satisfez foi o facto de poder voltar a rever as lindas trutas do Vouga.  Era mais do que suficiente!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.