Trutas de Verão no Alto Mondego.

Trutas de Verão no Alto Mondego.


Dia 24 de Junho de 2010. Quinta-feira de São João, feriado no Porto e boa altura para realizar uma pescaria às trutas. O dia amanheceu com algumas nuvens e perspectivas de trovoada. Arranquei de Figueira de Castelo Rodrigo às 8h30 da manhã e depois de muito hesitar entre Côa e Mondego, avancei para a zona com maior concentração de nuvens: Guarda. Havia um ar simultaneamente fresco e pesado a soprar dos lados da Serra da Estrela. Resolvi arriscar uma entrada no Alto Mondego na zona dos Trinta. Já lá tinha estado há alguns meses atrás e o que vi deixou-me saudades e aguçou-me o apetite.

Cheguei ao local por volta das 10 horas, estacionei o carro perto da EN e preparei o material de light spinning. O céu estava nublado, o ar quente e cheirava a trovoada. Comecei num bom açude. Mesmo antes de lançar comecei a ver as primeiras trutas. Uma estava a mosquear a menos de 3 metros da minha margem. Lancei para lá, mas nada. Tinha-me visto e por isso não me ia facilitar a vida. Insisti no açude durante cerca de 10 minutos. Mexi mais 2 ou 3 trutas de bom tamanho, mas sem resultados práticos. A água estava muito parada e elas tinham muito tempo e muita claridade para seguir e observar a colher … e também para me ver 🙂 Ali não ia ter sorte!

Avancei para a corrente que alimentava o açude e realizei imediatamente 6 ou 7 lançamentos. Nada! Já sem grande esperança, forço um lançamento mais longo mesmo para o ínicio da corrente e vejo uma boa sombra a mexer … para debaixo de uns ramalhos … era truta e com bom tamanho. Resolvi insistir. Mais um lançamento para o mesmo sítio, vejo outra vez um sombra a seguir a colher, chega-se à amostra e morde! Que linda truta e de bom tamanho (pelo menos 30 cm)! Começa a cabecear, leva algum fio, mas consigo-a manter por perto. Em menos de um minuto já estava dominada. Pego no camaroeiro, estico-me para a apanhar, mas estava numa posição um pouco elevada. Quando a tento meter dentro da rede, não consigo levantá-la o suficiente. A colher fica presa da parte de fora da rede, a truta dá um esticão e solta-se! 🙁  Fiquei completamente cego e a cana acabou em cima de umas árvores. Que estupidez! Enfim, esta já ficou com memórias para contar e eu também …

Depois disto, avancei para montante … a pensar na vida. Fui insistindo sobretudo nas zonas com poços. Aí, as boas profundidades permitiam o desenvolvimento de algumas trutas de bom tamanho e elas deviam estar algures entre a corrente e as águas paradas.

Seguindo este padrão de ataque, cheguei a uma zona com um poço largo onde desembocava uma pequena linha de água. O primeiro lançamento longo produz logo uma truta sem tamanho mínimo. Apesar de ser um bonito exemplar do Mondego, foi rápidamente devolvida à água. Convencido que o local poderia ainda guardar alguma surpresa, resolvi insistir. Após o quinto lançamento e sem saber muito bem como, uma pedra do fundo mexe-se e a colher para!! Era uma boa truta a cabecear como louca! Excelente … O local estava mesmo a prometê-la e ela cumpriu! Deu uma boa luta e desta vez para evitar mais trapalhadas, trouxe-a até à mão e tirei-a com calma para fora de água. Era um lindo exemplar de 29 cm com lindas pintas pretas e vermelhas em fundo escuro (foto abaixo). Uma verdadeira fario de montanha!

Animado por esta boa captura, voltei a trilhar as margens acidentadas do Mondego. A minha atenção estava completamente voltada para os poços. Cheguei a uma área com uma corrente mais profunda que depois de ser desviada por uma raíz de árvore desembocava num pequeno poço. A zona imediatamente antes da raíz parecia altamente promissora. Primeiro lançamento. A colher cai, vejo a silhueta de uma boa truta a virar-se dentro de água e de repente dá-se a cravadela. Impetuosa e brutal como sempre. Era uma boa truta com grande combatividade. Peixe de corrente e fortemente oxigenado. Saltos fora de água, 4 ou 5 corridas e finalmente consegui pô-la ao meu alcance. Chegou-me às mãos e era uma pura beleza de 26 cm. Às riscas e com grandes pintas vermelhas (foto abaixo). Outro excelente exemplar do Mondego. O dia não podia estar a correr melhor. 

Entretanto, avancei para um novo açude. Tinha cerca de 150 metros e ali existiam trutas. Primeiro lançamento e vejo uma boa truta a seguir a amostra, mas sem lhe tocar. Fui avançando lentamente. Meti-me debaixo das árvores numa zona de sombra. Mais um lançamento e cravo uma boa truta a meio do açude. Tinha cerca de 23 cm e era totalmente endiabrada. Saltava por todo o lado. Tentei levantá-la, mas quando ia para lhe pegar, consegue soltar-se do anzol e cai muito perto da água. Prepara-se para arrancar, mas dou dois saltos para perto do local onde caiu e agarro-a quando já estava dentro de água. Que bela truta!! Não ia fugir assim!

Com estas peripécias, cheguei às 13 horas. Quatro trutas capturadas, céu descoberto e forte calor a entrar. Aproveitei para realizar um pequeno intervalo para o almoço.  Três pedaços de bôla de carne e uma laranja. O suficiente para aguentar mais um par de horas.

Em menos de meio hora, voltei à faina para bater mais três açudes. No primeiro açude, tive um toque e vi uma truta de cerca de 23 cm a fugir. Notei que estavam muito picadas. No segundo, e já próximo da corrente, tirei uma bela truta de 24 cm ao quarto lançamento. Entrou na parte mais funda e deu uma boa luta. Mais um bonito exemplar! No terceiro açude, o mais longo com cerca de 200 metros e totalmente coberto por árvores, só tirei uma truta sem a medida que foi rápidamente devolvida à água. Era o que apresentava maior potencial, mas infelizmente as trutas não mexeram. Notei que as ervas estavam bem pisadas e portanto a pressão de pesca deveria ter a ver com esse facto.

Às 15h30, dei o dia por terminado. Com o calor a tomar conta do dia, notei que a actividade das trutas tinha diminuído. Também já não havia vontade para mais. Tinha desfrutado de momentos excelentes atrás das bravas trutas do Alto Mondego e fui recompensado com 6 bonitos exemplares. Momentos para recordar 🙂

Comentários Facebook - Trutas.PT
Related Posts with Thumbnails




Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.