De volta às trutas dos Trinta!

De volta às trutas dos Trinta!




Chegado ao sábado de Páscoa e já a caminho de Figueira de Castelo Rodrigo para passar o fim de semana em familia, resolvi primeiro fazer uma paragem truteira no grande rio Mondego na zona dos Trinta. Depois de uma excelente pescaria há duas semanas, estava na altura de voltar a tentar a sorte, desta vez mais para montante. Com a chuva que foi caindo durante a semana, antecipavam-se boas condições para uma pescaria às trutas, mas muitas vezes o rio prega-nos algumas partidas, especialmente se tivermos algum forte degelo vindo da Serra da Estrela. A juntar a este aspecto, havia sempre a possibilidade de encontrar as trutas extremamente picadas, pois não lhes deve ter faltado pressão de pesca desde a abertura e especialmente na semana de Páscoa.

Mesmo assim, as saudades comandam e como tal dirigi-me ao meu troço favorito onde as correntes aparecem entremeadas com alguns poços de bom tamanho. Mal cheguei, por volta das 9 horas, verifiquei logo que o caudal estava a um nível bastante elevado comparativamente aquele que encontrei no mesmo lugar no ano passado. Este tipo de condições elevou logo a dificuldade da pescaria e fez-me considerar que nem valia a pena lançar a amostra nas correntes, já que a força da água era tanta que as trutas nem iriam ver o isco a passar.

Apesar destas condições, preparei o equipamento de light spinning (cana de 1,2 metros, fio 0,12 e amostra Mepps Aglia nº 1 com pintas pretas) e avancei para o rio, pescando para montante. Deixei de lado as primeiras correntes, e avancei só para os poços ou para as correntes profundas que tivessem menor velocidade. Aí iria tentar insistir nos locais mais produtivos.

Os primeiros 10 minutos de pesca foram claramente de habituação à água. Fiz os primeiros 100 metros de rio a tentar perceber onde estariam as trutas e se as mesmas estariam picadas ou não. Como a corrente era relativamente forte, tinha alguma dificuldade em ter uma boa percepção do que se estava a passar. Os lançamentos foram saindo para montante, procurando por a colher a rodar nas linhas de transporte de nutrientes. No primeiro poço, nada mexeu e então avancei para o segundo, onde existia também uma boa corrente profunda. Lancei para montante (cerca de 25 metros) e comecei a recuperar. A amostra entrou na linha de corrente e sinto uma ligeira pressão na linha! Olho para dentro de água e vejo uma truta a dobrar e a deixar-se transportar lentamente pela corrente.

Vi logo que estava perante uma truta de bom tamanho e que ia ter dificuldades em tirá-la com o 0,12 e com a corrente que estava. Ela aproveitou a corrente e foi-se deixando deslizar e eu não a podia levantar a peso, senão ia-lhe dizer adeus. Tive que a deixar ir … ela entrou na parte mais forte da corrente e meteu-se atrás e debaixo de um tronco caído sobre a água, onde existia um pequeno redemoinho (foto de capa). Deixei de sentir pressão sobre a linha e pareceu-me que a truta estaria a tentar enrodilhar o fio nalguns ramalhos. Bem … estiquei a linha e mantive a pressão para evitar que a truta ganhasse muito folga. Ao mesmo tempo, saltei para dentro do rio e meti-me em cima do tronco. Fui tentando puxar a linha, mas nada! Que rico serviço! Perante isto, meti a ponteira da cana dentro de água, fui dando pequenos puxões e bobinando lentamente. Senti que algo se descravou e meti logo força à cana. A truta começou a aparecer, pus-lhe a cabeça fora de água e deitei-lhe rapidamente a mão … Já não fugia! Era claramente um bonito exemplar do Mondego com uma cores maravilhosas e cheia de manha. 25 cm alimentados com boas águas da Serra da Estrela.

Esta captura, pela sua dificuldade, reforçou a minha confiança e voltei à faina. Continuei a bater o mesmo poço e sobretudo a sua corrente inicial, mas nada mais mexeu. Pareceu-me logo que aquele era exemplar único por ali. Entretanto, fui avançando com alguma dificuldade, pois tinha acabado de entrar em zona de pedra partida e vegetação densa. Ainda bati mais dois pequenos poços, mas as trutas não estavam por lá.

Após mais alguns minutos cheguei a outro bom poço com uma corrente longa e relativamente mais calma. Já ali tinha tirado uma truta no ano passado e achei que valia a pena insistir. Pesquei aquela zona durante cerca de 30 minutos. Insisti nos locais que me pareceram mais produtivos e só tive um bom toque junto a uma grande pedra no meio do rio. Devia ser uma boa truta, mas não consegui ver o seu tamanho. De resto, nem sinal. Pareceu-me um pouco estranho, atendendo às boas condições que se verificavam naquele sitio.

Sem mais novidade, resolvi ir avançando para montante à procura de um açude onde eu sabia que podia ter mais alguma sorte. Pelo caminho bati mais alguns pequenos poços, mas não vi nem escama de peixe … começou-me a cheirar a pescador de véspera, especialmente porque o trilho por onde eu andava estava bem ajeitadinho. Enfim, lá cheguei ao açude. Comecei a bater a parte mais a jusante e resolvi desde logo meter um rapala CD-3 RT. Lá fui fazendo uns lançamentos e de repente ouço barulho de lenha a partir na minha margem. Olho para montante e vejo um pescador à minhoca 🙂 Ali estava a minha confirmação. Apesar de estar à minhoca, notava-se que fazia algum ruído e como tal as trutas punham-se logo a milhas. Mal me viu, inverteu logo a marcha e foi directo para o carro. Bem … deve ter tido a mesma ideia que eu.

Apesar de sentir que podia estar a perder algum tempo, resolvi bater ainda mais dois poços e correntes profundas para montante. As pegadas começaram a aparecer de forma distinta ao longo da margem, indicando-me que teria que tirar um milagre da cartola para fazer mexer uma truta. Assim, cheguei a uma corrente profunda perto do final. Voltei à Mepps Aglia nº 1 e lancei para montante de forma paralela à minha margem. Quando a amostra vinha a chegar junto aos meus pés, sinto um ligeiro toque na linha e vejo uma truta de cerca de 10 cm pendurada na colher. 🙂 Só mesmo aquela trutinha para se deixar enganar! De volta para a água!

Ainda fui mais 100 metros para montante, mas senti que já não valia a pena. Já eram quase 12 horas e o comportamento das trutas em áreas bastante promissoras não tinha sido o melhor. Havia ali algo que já não estava a funcionar. Portanto, conclui que as saudades do Rio Mondego na zona dos Trinta tinham sido satisfeitas e que estava na altura de evoluir para outras paragens! Ainda havia muito para fazer … e uma linda truta de 25 cm naquelas paragens era já uma excelente captura!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.