Manhã de pesca às trutas no Rio Minho.

Manhã de pesca às trutas no Rio Minho.


Dia 26 de Março de 2011. Depois de uma marcação de pescaria com o João Barbosa, estava tudo planeado para atacar em força as mariscas e as trutas comuns do Rio Minho. O local escolhido seria uma boa sequência de poços e correntes para montante da foz do rio Mouro. A hora para o encontro seriam as 7 da manhã e partir dali começariamos a bater a margem esquerda.

Como não acedi ao meu email no dia anterior, não vi a mensagem que o João me enviou e portanto arranquei cedo para estar no sitio programado. Demorei-me um pouco na estrada e como tal cheguei com 5 minutos de atraso. Mal cheguei, vi que o João não estava por ali. Ainda liguei, mas tinha o telemóvel desligado e como tal percebi que algo tinha acontecido. Bem, havia que atacar o Minho a solo.

Olhei para o rio e vi que o caudal estava em baixo. Sinal que a Barragem Espanhola estava fechada. O tempo estava instável, alternando entre períodos de chuva e algumas, poucas, abertas. Resolvi logo pegar na cana de 1,8 metros, linha 0,18 da Asari e no Storm WildEye RT de 6cm. Os primeiros lançamentos foram realizados num poço fora da corrente principal, onde se formava um redemoinho lento. A Storm não estava a nadar de forma que me agradasse e não estava a alcançar a profundidade desejada.

Perante isto troquei de amostra e meti uma Mepps Aglia nº4 de cor cobre. Primeiro lançamento no mesmo local e sinto logo uma pancada quando a colher estava a deixar a água. Tinha cravado uma linda truta de 21 cm com as cores prateadas tipicas do rio Minho. Fiquei admirado como é que aquele exemplar entrou a uma colher tão grande! Era uma bela truta e foi rápidamente restituida à água.

Motivado por esta captura, resolvi bater só duas correntes para jusante. Lançamentos longos a 3/4 para montante tentando fazer a Mepps descer para perto do fundo e recuperando com lentidão. Ali, poderiam estar bons troféus, mas nada entrou. Vi um pescador na corrente mais a jusante e achei que não valia a pena continuar a descer o rio. Já nas últimas tentativas, vi uma pequena bolha na água junto á margem e pareceu-me peixe. Lancei para lá e vi uma truta a dar um toque forte na Mepps. Não ficou!! Toca a mudar de direcção para montante.

Os seguintes lançamentos foram realizados num cotovelo de rio com areia no fundo e onde existe um bom poço. Vi alguns peixes a mosquear e meti a Mepps Aglia nº1 com pintas vermelhas. Lancei e lancei, mas nem toque. Deviam ser escalos. Entretanto, reparo num peixe quase a mosquear em terra. Lanço para lá e entra uma brava truta. Atacou com força, dois saltos fora de água e vontade de fugir a todo o custo. Lá a consegui travar e com calma fui puxando-a para mim. Não tardou a parar nas minhas mãos … mais uma bela truta de 21 cm com grandes pintas negras.

Com mais ânimo, resolvi a atacar a parte mais íngreme do rio. Grandes poços e correntes lentas ladeadas por grandes pedras partidas. Com chuva, estas pedras eram sinónimo de pernas partidas ao mínimo descuido. O cuidado tinha que estar ao máximo! Voltei para a Mepps Aglia nº4, de modo a cobrir o máximo de água possível e a tentar o meu alvo principal: as grandes trutas do Minho.

Caminhando lentamente para montante, fui lançando vezes sucessivas nos mesmos locais. Sabendo como é dificil por as mariscas a morder, convinha insistir nas zonas mais promissoras. Fui tendo alguns toques. Entre as 9 e as 11h30 tive cerca de 5 toques e cravei mais uma truta pequena. Tudo com Mepps nº4! De vez em quando perdia a tensão na linha durante a recuperação e sustinha a respiração, mas acabou por ser sempre o resultado da amostra a passar por cima de alguns cardumes de tainhas que costumam abundar nesta zona do rio. Enfim, apesar das condições de pesca bastante promissoras, os resultados práticos estavam a ser nulos.

Na fase final da pescaria, encontrava-me a pescar um redemoinho perto de uma grande pedra quando levo um toque. Volto a insistir e quando a colher vem a meio do caminho, vejo a corrente a mudar de sentido e o caudal a aumentar repentinamente. A Barragem tinha aberto as comportas e eu rápidamente galguei as pedras para me por a salvo 🙂 Nada de facilitar. Em menos de um minuto, o rio engrossou de tal maneira que não valia a pena continuar a pescar.

Tive que voltar para o carro através da Estrada Nacional. Vinha satisfeito pelo caminho por duas razões; por ter mexido algumas trutas e por ter comprovado a eficácia da Mepps nº 4. Entretanto, fui aproveitando para planear o próximo ataque do dia. Atendendo às condições de pesca e ao meu plano de visitar a loja de pesca em Valença, tinha que ficar nas proximidades do local em que me encontrava, portanto a opção natural seria tentar a minha sorte no rio Mouro. Era para lá que eu ia 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.