Central de France a bombar … trutas!

Central de France a bombar … trutas!




Sábado, dia 24 de Abril de 2010. Véspera das celebrações da revolução de Abril. O dia despertou encoberto na cidade do Porto e eu resolvi meter-me à estrada sem destino certo. Tinha despertado um pouco tarde (7h30) e sem grande vontade de entrar em grandes correrias atrás dos melhores lugares de pesca. Após muito reflectir sobre a expedição durante a minha viagem pela A28, decidi-me por revisitar mais uma vez o grande Rio Coura. É um daqueles rios onde, apesar da forte intensidade de pesca, sobram sempre boas trutas para quem quiser entrar em lugares mais dificeis ou apostar em iscos diferentes. Ia ser teimoso e tentar a minha sorte!

Para evitar surpresas desagradáveis em termos de caudais e pressão de pesca, resolvi estacionar directamente na saída do tubo da Central de France. Cheguei por volta das 8h45 e estava sózinho no local. Nem pegadas na margem, nem carros nas redondezas. O panorama era normal: águas limpidas e débito constante da Central Eléctrica. De modo a aproveitar o elevado caudal, resolvi pescar para jusante até à povoação de Rodetes. Sabendo de antemão que iria enfrentar margens bastante encobertas e trutas bastante tocadas e desconfiadas, resolvi montar o meu material tipico de light spinning: cana curta, linha 0,12 e Mepps Aglia nº1 pintas vermelhas. Enfim, as expectativas não eram muito elevadas. Se conseguisse tirar uma ou duas trutas já ficava satisfeito 🙂

Avancei directamente para a saída do tubo. Margem com 5 metros de altura. Primeiro lançamento sai para a água calma. Sinto um toque leve na amostra. Mas nada de especial. Segundo lançamento para montante, visando a saída do tubo. A colher afunda e vem a trabalhar na lateral por entre uns tufos de algas. De repente entra uma boa truta! Mesmo por entre as algas! O sítio era esplêndido … (ver foto)

A truta começa a cabecear e a enrolar o fio. Estou a 5 metros de altura com a cana de 1 metro e fio 0,12. Nem pensar em levantar a truta com um puxão forte! Decido-me por lutar com a truta, cansá-la e encostá-la à margem, tentando sempre encaminhá-la para montante. Tinha um bonito exemplar na ponta da linha. Com calma, consegui retirá-la da corrente e encostei-a a um ramo de árvore dentro de água. A truta estabiliza dando apenas pequenas cabeçadas! Está na altura de ir buscá-la! Com a cana no ar, começo a calcar silvado para descer a margem quase a pique. Depois de várias arranhadelas, demoro um minuto a chegar a um tronco de árvore seco junto à água. Quando lá chego, felizmente a truta ainda estava parada com a colher amarrada no ramo. Com algum equilibrismo, tiro o camaroeiro, coloco-o por detrás da truta e tiro-a para a margem. Que grande captura. Vi-me e desejei-me para conseguir tirar a beleza que está na capa deste post. Um lindo exemplar (28 cm) que faz jus às grandes trutas do Coura.

Aproveitei alguns minutos para limpar a adrenalina do sistema. Cortei o segmento de fio que tinha ficado mais danificado e voltei a atar a amostra. Já com o equipamento em ordem, resolvi atacar as próximas correntes, lançando por debaixo das árvores e sempre para montante. Voltei a ter toques logo nos primeiros metros e tive uma truta cravada de cerca de 24 cm. Também em zonas com algas. A truta era endiabrada! Cravou, deu dois saltos fora de água e a colher foi cuspida 4 a 5 metros na direcção oposta! Ah, valente! Mais uma grande emoção!

A partir desse momento, entrei em velocidade cruzeiro de pesca. Com a motivação em alta, decidi realizar o troço até a um grande açude na zona de Rodetes. Impressionante o número de toques que tive! Mais de 10. Destes, só consegui transformar 4 em capturas de trutas. E  destas, só uma mediu 21 cm. Todas as outras tinham tamanhos médios na ordem dos 17 cm, mas demonstravam estar bem alimentadas. Sinal de que o nível de nutrientes no rio é bastante aceitável.

A truta de 21 cm (foto abaixo) foi capturada no açude que menciono acima. Foi o resultado de um lançamento para montante no seguimento da margem. A truta devia estar por entre as raízes das árvores e atacou com uma força enorme. A captura foi relativamente fácil, pois a área estava bem desimpedida de vegetação. Portanto, neste aspecto não houve novidade. O que me suscitou enorme curiosidade foi o local!

O grande açude na zona de Rodetes agradou-me imenso, porque deve esconder monstros impressionantes. Ainda tive a impressão de ter visto um grande reflexo branco a mexer atrás da colher 🙂 no muro do açude. Não consegui ver bem, mas fiquei com o vicio de lá voltar. A boa densidade de trutas observada e a corrente profunda com mais 400 metros que vem desembocar no açude não enganam ninguém. Pode-se fazer história! É tudo uma questão de “timing” e persistência.

Após o açude, a margem esquerda torna-se complicada de pescar devido ao excesso de vegetação. Eram 11 horas e decidi que estava na altura de mudar de local. Tinha disfrutado de uma excelente manhã de pesca numa área onde mais se sente a influência da Central de France. Apesar da forte corrente, as trutas estavam activas e tinham correspondido da melhor forma ao desafio que lhes coloquei. Tinha sido uma manhã em cheio!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.