Manhã de 9 trutas no Rio Mouro …

Manhã de 9 trutas no Rio Mouro …




Previsões de chuva forte no Norte do País e rapidamente planeei uma ida ao Rio Mouro. Depois de uma pós-abertura sem qualquer sucesso, fiquei bastante bem impressionado com algumas trutas que vi já no final da jornada, à medida que o dia ia aquecendo. Com a possibilidade de haver chuva forte e a entrada de muita água no rio, achei que a cor do mesmo poderia escurecer e as trutas poderiam-se deslocar para a parte central à espera de se alimentarem no ponto mais forte da corrente.

Planeei tudo para chegar ao Rio Mouro às 7h30, para ser um dos primeiros a passar na zona. Durante o caminho apanhei alguma chuva forte, mas quando cheguei às proximidades do Mouro, a chuva parou e notei que a temperatura estava relativamente amena. Comecei a achar que possivelmente tinha feito uma viagem em vão. O céu ameaçava com alguma chuva, mas não se viam os efeitos práticos dessa situação. Aliás, quando parei o carro próximo do rio, notei que o caudal estava ligeiramente mais alto do que o costume, mas a cor de água eram tão transparente como na semana anterior.

Enfim, perante este cenário compreendi logo que as minhas possibilidades de capturar uma truta marisca ou um salmão eram quase nulas. Só mesmo um milagre de chuva é que me podia dar algumas chances. Mesmo assim, resolvi entrar ao rio com linha 0,18 e uma amostra X-Rap na ponta. Saíram os primeiros lançamentos numa zona mais calma. A amostra a trabalhar bem, mas nem sinal de peixe. A claridade ainda não era muita e eu resolvi atalhar caminho para a zona de correntes, por se acaso alguma truta marisca ou salmão não andassem desprevenidos. Bem insisti durante meia hora com o X-Rap, mas sem resultado. Notei no entanto, algumas trutas a mexerem atrás da amostra, mas sempre a manterem a distância de segurança. Tantas vezes lancei que me cansei. Eram 9h00 e tinha que tomar uma decisão. A chuva não vinha. Caiam uns pingos de vez em quando e pouco mais.

Bem, resolvi mudar para o material de light spinning. Linha 0,12 e colher Mepps Aglia nº1. Os primeiros lançamentos também se revelaram infrutíferos, mas numa saída de uma corrente mais profunda, realizo um lançamento para a outra margem, e quando a amostra vem a entrar na parte mais forte da corrente, sinto uma pressão na linha e cravo instintivamente. Sem grande luta, consigo tirar uma linda truta de 17 centímetros. Fiz a primeira captura e devolução à água no Mouro.

Captura de truta no Rio Mouro - 17 cm

A partir desta captura, avancei lentamente para montante, palmilhando todos os cantos possíveis. Capturei mais 3 trutas em zonas calmas (todas devolvidas) e quando cheguei à proximidade de uma saída de corrente mais funda, vejo uma truta de bom tamanho a esgueirar-se sorrateiramente para debaixo de um tronco perto da minha margem. Lanço a colher para a outra margem, deixo derivar, e quando a colher chega perto do tronco, vejo a truta a dobrar na amostra e eu cravo. A truta arranca para jusante à procura de cobertura, eu tento segurá-la e o carreto começa a cantar. Lá a tirei da cobertura vegetal e ela arrancou para montante. Como a corrente era forte, não demorou muito a cansar-se e rapidamente a consegui por ao alcance do camaroeiro. Tinha capturado uma linda truta do Mouro. Um digno exemplar com 27 centímetros 🙂

Truta 27 cm Rio Mouro

Depois desta excelente captura, ainda fui até aos pilares da ponte e aí deixei fugir uma linda truta negra de cerca de 25 centímetros. Consegui trabalhá-la até a cansar bem, mas a força da corrente e o facto de estar apenas cravada por uma anzol não permitiram que lhe conseguisse deitar a mão. Descravou-se quando a aproximei de mim. Era um lindo bicho.

Chegado à ponte, resolvi inverter a marcha e pescar nos locais onde não tinha metido o X-Rap, ou onde me parecia que o X-Rap não tinha convencido as trutas. Aí consegui fazer mais alguns estragos até ao meio dia. Tirei mais quatro trutas, com duas delas a apresentarem um tamanho superior a 23 centímetros. Três destas trutas foram capturadas em zonas muito encobertas e que obrigaram a lançamentos no limite.

Desde que meti a colher, a reacção foi outra da parte das trutas. Estavam bastante activas e não se precaviam a morder o isco. A pescaria estava a correr bem, mas a chuva não aparecia. De facto, o sol começou a aparecer e o nível do caudal estava a baixar. Poderia ter mudado de troço e ter feito mais uma etapa no Mouro, mas achei que já tinha tido a minha conta. Estava na altura de tentar visitar outro local, à procura de mais umas trutas bravas 🙂

No global, fiquei bastante animado com as trutas que vi. Depois da última visita ao Mouro, fiquei com alguns receios relativamente à densidade populacional do rio, mas vi que os mesmos eram infundados. As trutas estão lá, mas o seu nível de dificuldade é que é elevado, não só pelo facto de as águas andarem frias, mas também porque são sujeitas a uma forte pressão de pesca.

Depois desta jornada, hei-de voltar ao rio Mouro assim que puder e assim que o tempo animar, ou seja piorar qb!! Ainda não perdi a esperança de mexer uma truta marisca ou um salmão este ano!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.