Regresso ao Rio Ovelha …

Regresso ao Rio Ovelha …




Na sequência de um convite para almoçar na Brunheda na quinta do amigo Manuel Jorge, resolvi realizar uma visita ao Rio Ovelha. Já há muito tempo que não pescava por lá e da última vez que por lá passei fiquei bastante bem surpreendido pela densidade de trutas que encontrei e sobretudo pelo bom tamanho de algumas das trutas. Assim, e como tinha que passar pela zona de Amarante para me dirigir à Brunheda, fiz logo os planos para uma pescaria à maneira naquelas imediações.

Cheguei à zona de Amarante por volta das 7 horas da manhã e resolvi logo atacar o açude onde tinha tirado uma foto antes do início da época. Este açude fica a montante da ponte da estrada nacional que vai para Mesão Frio e localiza-se próximo do final da concessão de pesca desportiva que existe no Rio Ovelha.

O dia estava encoberto e com alguns períodos de chuva de pouca intensidade. O caudal do rio era razoável para a altura do ano, com alguma cor derivada a uma chuvada mais intensa que deveria ter caído durante a noite. Mesmo assim, e como a profundidade no Ovelha não é muito substancial, resolvi pegar na minha cana de 1,8 metros equipada com linha 0,12 e colher Mepps Aglia nº1. As trutas deviam estar picadas e eu iria pescar light, e caso visse razão para isso, aumentaria o nível.

Os lançamentos que realizei naquele açude confirmaram a teoria de que ali não para nada por causa de meia dúzia de furtivos que fazem o que lhes apetece. Bem que lancei e lancei, a tentar todas as posturas das trutas, mas nada. Insisti durante mais de 20 minutos sem qualquer resultado. As condições eram as ideais e o açude tem condições excelentes para ter trutas e portanto nem um toque, significa que algo ali está muito errado. Convinha que as autoridades investigassem e tratassem da saúde ao pessoal da vizinhança, porque a razão do cancro deve morar perto.

Desanimado por estes momentos iniciais de pesca, resolvi fazer-me mais para jusante. Cheguei mesmo a duvidar do potencial actual do Ovelha e como tal resolvi passar para jusante da confluência com o Rio Carneiro, à procura de mais vida dentro de água.

Depois de cerca de 15 minutos de carro, à procura de poiso, lá consegui entrar no rio numa zona que pareceu mais resguardada e menos batida. Peguei no material e fiz-me logo ao rio, porque o tempo estava a passar. Entrei num local dividido entre correntes para montante, e poços e correntes profundas para jusante. Resolvi atacar primeiro para montante e depois, se tivesse tempo, pensaria em fazer uma parte para jusante.

Os primeiros lançamentos foram totalmente improdutivos. Durante meia hora bati uma sequência de correntes rápidas, sem qualquer tipo de resultado. Numa zona mais funda, pareceu-me ter visto uma truta a correr atrás da amostra, mas não pude confirmar o que era. Com o tempo a passar, lá fui ficando mais desanimado e cheguei a um açude com uma queda de água generosa. Aí começo a ver os primeiros movimentos atrás da amostra. Peixe pequeno, mas não sabia se era truta. Num lançamento mais largo à procura de uma das saídas da queda de água, consigo cravar a minha primeira truta do Ovelha. Um lindo exemplar de 16 centímetros que voltou à água. Foi a salvação do dia, pois fiquei a saber que efectivamente ainda existiam trutas no Ovelha. Isto depois de mais de uma hora de pesca sem nada 🙂

Depois desta captura, a concentração voltou e comecei a bater o açude de forma cuidadosa. Num lançamento para cobrir o açude, começo a recuperar e quando a amostra vem a meio, vejo um raio a vir de montante e agarrar a amostra. Cravo, e vejo uma boa truta presa na linha. Era um bom peixe. Tento segurá-la e ela arranca para cima. Levanto a cana, aplico tensão e ela inverte a marcha. Estivemos nisto durante cerca de 2 minutos, até que ela começa a enrolar a linha à volta da cabeça e vira-se ao contrário. Aproveito o momento para a trazer até mim, e deito-lhe a mão. Tinha capturado um bom exemplar do Ovelha com 28 centímetros. Agora sim, a pesca estava a animar.

Truta 28 cm Rio Ovelha Maio 2013

Com esta captura, a motivação entrou em força e resolvi fazer o troço para montante com mais energia. Tive que ultrapassar uma ravina, mas quando voltei ao rio, tive uma das sequências de pesca mais inesquecíveis dos últimos anos. Em cerca de 1h30 horas, tirei trutas atrás de trutas e tive mais de 30 toques. Num único poço, tirei três trutas bem acima da medida e tive mais de 10 toques. Era lançamento atrás de lançamento a proporcionar emoções.

Foi uma situação impressionante e que me fez crer que o Rio Ovelha continua a ter uma população de trutas bastante saudável que é preciso conservar a todo custo. Mesmo em zonas de corrente rápida e com poços de dimensão reduzida, era possível ter boas capturas. Numa destas zonas, e com um lançamento para montante, consegui capturar uma linda truta de 24 centímetros com umas cores impressionantes. E isto numa zona com menos de 1 metros de profundidade. Estava a ser um dia de primeira qualidade.

Truta 24 cm Rio Ovelha

Depois de ter feito esta sequência entusiasmante, cheguei a uma zona de difícil transposição e resolvi voltar para jusante. Os poços que vislumbrei no local de entrada pareceram-me ser de primeira qualidade para capturar umas boas trutas e portanto, resolvi voltar para jusante.

Quando cheguei ao local de partida, vinha que tinha chegado outro parceiro para pescar à minhoca. Não me pareceu que me estragasse muito a pescaria, portanto resolvi avançar para jusante.

Infelizmente, o panorama para jusante não foi tão bom como para montante. Vi muito poucas trutas numa sequência de correntes lentas e profundas com mais de 1 quilómetro. Pareceu-me ter visto três trutas acima de kilo, logo no início dos poços, mas não consegui identificar bem. Essa pode ser uma explicação para a falta de trutas naquela zona, mas não explica tudo. Só voltei a tirar trutas no final dessa sequência e numa queda de água perto de uma praia fluvial. Depois de ter lançado mais de 6 vezes no mesmo local, só à sétima vez é que uma truta de bom tamanho abriu a boca para a amostra. Tinha cerca de 24 centímetros, mas não parou quieta durante dois minutos. Tive que a deixar cansar para a colocar a jeito.

Com esta última captura, já estava a queimar tempo. Resolvi pegar nas trouxas e regressar ao carro. No global, fiquei bastante satisfeito com o que vi no Rio Ovelha. Apesar das atrocidades que se cometem na zona, ainda existem pequenos troços com grande densidade de trutas e que podem proporcionar excelentes surpresas. Assim que puder, voltarei a este grande local para ter mais emoções de primeira qualidade.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.