Dia de Julho no Rio Minho …

Dia de Julho no Rio Minho …


Mais um dia quente de Julho e mais uma ida programada ao Rio Minho, com planos para iniciar a pesca o mais cedo possível, tentando aproveitar a subida da maré. Depois de vários quilómetros de estrada, cheguei à zona da Lapela por volta das 6h30. O dia estava a despertar, mas já se notava algum calor, bem como um vento relativamente forte e incomodativo que vinha de Leste. Não ia ser fácil controlar os lançamentos, nem obter a máxima distância nos mesmos.

Após os preparativos iniciais, peguei no material de heavy spinning e resolvi atacar uma zona de poço após uma corrente longa de seixo. O meu objectivo era claramente a corrente, mas convinha atacar o poço, pois os bichos podiam estar à espera por lá.

Com o sol a subir no horizonte e com a maré a subir lentamente, estava o cenário preparado para duas horas a coar água. E assim foi, quer no poço, quer na corrente, nada mexeu. Isto apesar de várias tentativas e de ter tentado insistir nas zonas mais interessantes.

Perante este desaire, resolvi mudar ligeiramente de sítio e lançar numa zona onde saía uma pequena linha de água e se formava um cotovelo no rio. Primeiro lançamento e logo um toque. Segundo lançamento, cravo uma truta fario de cerca de 19 centímetros que devolvi rapidamente à água. Terceiro e quarto lançamento, mais dois toques, mas também de truta pequena. Ao menos, já tinha sentido alguma coisa a mexer.

Depois deste primeiro sinal, resolvi voltar ao centro do rio e bater mais dois poços de tamanho razoável, mas foram mais duas horas a coar água. Eventualmente, coei tanta água que resolvi mudar de sítio.

O meu próximo destino era uma sequência de correntes a jusante da foz do Mouro. A ideia era pescar lá durante cerca de hora e meia para depois voltar a um canto com sombra sobre a água na zona da Lapela onde eu sabia que as trutas poderiam encostar.

Durante uma hora e meia pesquei nas correntes pretendidas. Por entre as grandes pedras do Minho, o calor aumentou significativamente e mesmo assim, vi alguns sinais de peixe a movimentar-se à superfície. O primeiro lançamento saiu numa zona de corrente lenta. Palmilhei a zona com calma, antes de entrar no pico da corrente. Lançamento para montante e nada. Lançamento cruzado para a outra margem, deixo afundar lentamente e quando começo a recuperar, noto uma leve resistência na linha. Acelero a recuperação e sinto uma pancada brutal com a cana a sair-me quase das mãos. Era peixe, mas não consegui cravar. Imediatamente soltou o isco. Fiquei perplexo. Não era coisa pequena. Pelo menos bicho de kilo. Bem insisti no local e segui a mesma estratégia dezenas de vezes, mas nem sinal de novo ataque.

Depois de gastar cerca de 45 minutos neste local, avancei para uma série de correntes menos profundas. Ali fiz quatro trutas pequenas em 30 minutos. Elas estavam a picar bem, mesmo numa colher nº3. No entanto, não se via aspecto de peixe maior e resolvi mudar de sítio, novamente para a zona da Lapela.

Quando cheguei ao local pretendido estava um pescador ao fundo. Lá encetamos conversa e ele disse-me que as trutas andavam por ali (já tinha visto algumas), mas o que ele queria eram as enguias. Conversa puxa conversa e ele lá me contou a história da captura do salmão à mosca na zona da Lapela. Segundo ele, capturado por um pescador da zona, que habitualmente pesca à mosca e participa em competições. Pelos vistos, bastante conhecido por pescar muitas trutas mariscas e alguns salmões. Segundo o pescador, quando este indivíduo vai ao Minho leva duas canas, uma para pescar sem morte e outra para pescar com morte. A escolha da cana é que determina se o peixe vive ou não! Vá-se lá imaginar o porquê disto e qual a diferença de usar uma cana ou outra! Coisas da consciência de cada um …

Enfim, voltando à pesca, primeiro lançamento, cravo truta de 23 centímetros e consigo trazê-la à minha mão. O pescador ficou atónito com a captura, mas não disse nada. Truta para dentro da água e novo lançamento. Começo a recuperar e outra truta de 24 centímetros ataca o isco e crava-se. Lá a tiro fora de água, mais uma olhadela do pescador e truta para a água.

Nos dois lançamentos seguintes, tive dois toques, mas sem cravar nada. No último lançamento, lancei para montante e para o centro do rio. O lançamento saiu longo. Comecei a recuperar e mal a amostra rodou dentro de água, senti um toque a sério. A linha arranca para jusante e eu seguro o peixe como posso. Entretanto, resolvo dar um pouco de linha, já que a corrente no local não é das mais lentas. A luta continua do outro lado com a truta a tentar fugir de todas as maneiras possíveis, incluindo saltar fora de água. Lá a tento trabalhar em zona limpa e quando começo a notar algum cansaço na mesma, trago-a para a minha proximidade e saco o camaroeiro. Atendendo à elevação do local onde me encontrava e à força da corrente, só à décima passagem é que consegui meter a truta dentro do camaroeiro. Um claro exercício de concentração e sangue frio, mas valeu a pena pois consegui tirar uma linda truta marisca de 34 centímetros.

Truta marisca 34 cm Rio Minho Julho 2014

Após esta captura, e sem mais locais para lançar, resolvi terminar a pescaria por ali. O amigo pescador que lá estava ainda me perguntou porque é que eu não continuava e eu apenas lhe disse que não valia a pena. Mal abandonei o local, foi vê-lo a mudar uma das canas para o spinning e a começar a lançar continuamente 🙂 🙂

Enfim, mais uma pescaria no Rio Minho em dia de calor. Atendendo às condições, o número de capturas até foi razoável, apesar de a qualidade não ser a melhor. Claro sintoma de que ainda existem bons exemplares no rio e de que as surpresas podem ocorrer em qualquer momento!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.